Rogério Marinho admite ausência de provas de fraude e defende saída de Flávio Bolsonaro
Senador potiguar disse que o PL e ele próprio não têm provas, mas chamou o aliado de “exilado político” e justificou sua saída do país
Por Redação Os Três Poderes ·

O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta quarta-feira que nem o Partido Liberal nem ele próprio dispõem de provas para sustentar as acusações de fraude eleitoral feitas por Flávio Bolsonaro, mas defendeu a saída do aliado do país, classificando-o como um “exilado político”.
Questionado sobre se o partido considera que houve fraude nas eleições presidenciais, Marinho declarou: "Não, o PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido". Em seguida, tentou justificar a saída de Flávio Bolsonaro, dizendo que "ele hoje é um exilado político, não é por escolha" e que a ida ao exterior teria sido para preservar “sua integridade física, sua liberdade e sua capacidade de poder falar o que precisa ser falado”.
O episódio e as investigações
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira e, segundo relatos, cruzou a fronteira com a Argentina antes de embarcar em um avião particular rumo aos Estados Unidos, acompanhado da mulher e das duas filhas. A Polícia Federal informou que não encontrou registro oficial de passagem do senador pelos postos de controle migratório brasileiros.
Os passaportes de Flávio — brasileiro comum e diplomático — haviam sido cancelados após ele descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia determinado a entrega dos documentos. A Polícia Federal também esclareceu que, naquele momento, a situação não caracteriza o senador como foragido nem autoriza sua prisão.
Repercussões internas no PL
Em carta publicada após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro se autodeclarou "presidente do Brasil" e, posteriormente, chegou a usar a expressão "líder do Brasil"; no documento, ele confirmou que indicará Rogério Marinho como candidato do PL à presidência do Senado. O partido marcou uma reunião para a próxima semana para decidir se apoiará oficialmente a candidatura de Marinho ao comando da Casa.
Marinho já disputou a presidência do Senado em 2023, quando concorreu com o apoio de setores da direita e foi derrotado pelo então candidato Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Na ocasião, ele defendeu prerrogativas do Congresso e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal, segundo registros da disputa.
As declarações do senador potiguar acontecem em meio a um episódio que mistura questionamentos sobre a integridade do processo eleitoral, saída internacional de um parlamentar e apurações da Polícia Federal sobre as circunstâncias da viagem. O desdobramento pode influenciar a articulação política no Senado e na bancada do PL, inclusive sobre a escolha do candidato à presidência da Casa.
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