Em entrevista, Lula propõe reduzir maioridade em crimes hediondos e cobra apuração no STF
Presidente disse que debate sobre maioridade deve ocorrer fora da PEC da Segurança Pública e admitiu reciprocidade a tarifas dos EUA
Por Redação Os Três Poderes ·

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (15), em entrevista veiculada na TV, que defende reduzir para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes hediondos e que o tema seja discutido separadamente da PEC da Segurança Pública. Ele também cobrou a apuração de suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado Caso Master.
Segundo Lula, já conversou três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, para defender que as denúncias sejam investigadas e que eventuais responsabilidades sejam apuradas. Ele afirmou que episódios como o Caso Master deveriam levar ao estabelecimento de regras de conduta mais rígidas no Judiciário.
Na área internacional, o presidente disse preferir a negociação com os Estados Unidos, mas não descartou adotar medidas de reciprocidade caso não haja acordo sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Conforme ele, representantes dos dois governos seguem dialogando.
Lula também afirmou assumir a responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas pelo governo e avaliou que parte do desafio esteve ligada à situação do país no início da gestão. Segundo disse, não pretende atribuir culpas a terceiros.
O presidente ainda rejeitou a classificação, pelos EUA, de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e mencionou ter proposto parceria ao governo norte-americano no combate ao crime organizado.
Contexto
A maioridade penal no Brasil é de 18 anos. Uma mudança desse tipo exige alteração na Constituição, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa ser discutida e aprovada pelo Congresso em dois turnos em cada Casa, com quórum qualificado.
A cobrança de apuração sobre suspeitas envolvendo ministros do STF recoloca em debate mecanismos de transparência e integridade no Judiciário. No campo econômico, a possibilidade de medidas de reciprocidade comercial pode influenciar negociações e fluxos de comércio do Brasil, com reflexos para estados e setores exportadores, inclusive no Rio Grande do Norte.
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