Senado aprova ampliação do adicional de fronteira e inclui Amazônia Legal
Valor diário passará de R$ 91 para R$ 191 em 2027; mais carreiras e localidades serão contempladas, e texto segue para sanção
Por Redação Os Três Poderes ·

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (28) o projeto de lei de conversão da MP 1.375/2026 que eleva o adicional de fronteira pago a servidores federais de R$ 91 para R$ 191 por dia a partir de 1º de janeiro de 2027. O texto permite correções periódicas pelo Poder Executivo e segue para sanção presidencial.
Quem passa a ter direito
De acordo com a proposta, o benefício alcançará novas carreiras e órgãos, entre eles:
- servidores do INSS;
- servidores de agências reguladoras;
- servidores da Suframa;
- fiscais agropecuários;
- professores e técnicos de instituições federais de ensino;
- policiais civis e servidores dos antigos territórios federais do Amapá, Roraima e Rondônia.
O texto também inclui municípios da Amazônia Legal como localidades estratégicas para pagamento da indenização. Assim, cidades fora da faixa de fronteira poderão ser contempladas quando houver dificuldade de fixação de pessoal e atuação no combate a crimes transfronteiriços.
Como será definido
Conforme o projeto, caberá ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos definir as localidades beneficiadas. Reconhecido o município, o adicional será pago a todos os servidores das carreiras listadas que atuem no local, sem exigência de comprovação individual de atividade de campo. Na justificativa da medida provisória, o Executivo afirma que a norma busca dar segurança jurídica e estimular a permanência de efetivo nessas regiões.
Debate no Plenário
O relatório favorável foi apresentado pelo senador Eduardo Gomes (PL-TO), que defendeu a ampliação do adicional e a inclusão da Amazônia Legal. Durante a discussão, Chico Rodrigues (PSB-RR) citou a falta de infraestrutura e condições potencialmente insalubres nas áreas de fronteira. Eduardo Braga (MDB-AM) relacionou a medida à necessidade de reforçar o combate ao tráfico de drogas e armas. Alessandro Vieira (MDB-SE) apontou risco de questionamentos sobre a constitucionalidade por causa de emendas e da ausência de estudo de impacto orçamentário.
Plínio Valério (PSDB-AM) e Teresa Leitão (PT-PE) criticaram a demora da Câmara dos Deputados na análise de medidas provisórias. Sérgio Petecão (PSD-AC) destacou o papel do adicional para incentivar a presença de policiais federais em seu estado. Jayme Campos (União-MT) cobrou condições de trabalho adequadas, enquanto Roberta Acioly (Republicanos-RR) e Omar Aziz (PSD-AM) defenderam a valorização dos servidores da região. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ressaltou a importância da proposta para os servidores do Amapá.
Outras mudanças do texto
- regras voltadas aos antigos territórios: enquadra técnicos em educação na carreira federal correspondente, amplia o reingresso de pessoas com vínculo comprovado com a administração e convalida reajustes e vantagens já concedidos a aposentados, pensionistas e ativos dos quadros em extinção, sem devolução de valores;
- servidores dessas regiões que aderiram a programas de desligamento voluntário passam a poder integrar o quadro em extinção da União;
- autoriza o uso de recursos do Fundaf para despesas de saúde e ressarcimentos a servidores e dependentes da Receita Federal;
- altera a gestão de cargos do Executivo para engenheiros, arquitetos, economistas, estatísticos e geólogos;
- passa a exigir nível superior para o cargo de técnico do Banco Central;
- transforma 254 cargos vagos do Ministério da Fazenda em 50 cargos de inspetor na CVM, sem aumento de despesas.
O que muda para o RN
O adicional é uma indenização federal voltada a localidades estratégicas definidas pelo governo. Embora o Rio Grande do Norte não integre a Amazônia Legal nem tenha faixa de fronteira, servidores potiguares lotados em áreas reconhecidas poderão ser alcançados pelas novas regras.
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