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Alcolumbre teria articulado perdão a Bolsonaro para obter apoio à reeleição no Senado

Plano envolveria indulto presidencial ou anistia aprovada no Congresso e mira reduzir pressão por impeachment contra ministros do STF

Por Redação Os Três Poderes ·

Davi Alcolumbre, de terno escuro e gravata azul, fala ao microfone e gesticula com a mão aberta no Senado
Davi Alcolumbre, de terno escuro e gravata azul, fala ao microfone e gesticula com a mão aberta no Senado

Dois aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), relataram a existência de uma articulação para buscar um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como forma de obter apoio da direita à sua reeleição ao comando da Casa em 2027. Segundo esses interlocutores, a estratégia inclui alternativas que vão desde um indulto presidencial até uma anistia aprovada pelo Congresso.

O que está sendo proposto e as etapas

De acordo com os aliados, a primeira alternativa seria conversar com o presidente da República sobre um indulto humanitário, medida que depende exclusivamente da decisão presidencial. Caso o indulto não seja aceito, a alternativa seria trabalhar pela aprovação de uma anistia no Legislativo, que precisaria ser votada e aprovada por Câmara e Senado.

Os aliados disseram também que a articulação ainda não configura uma proposta formal nem um acordo entre os Poderes e que Alcolumbre pretende avaliar a repercussão eleitoral antes de avançar. Entre as condições citadas está a negociação para limitar o alcance do perdão à esfera penal, preservando, segundo os interlocutores, a possibilidade de manutenção de restrições eleitorais.

Motivação: conter pedidos de impeachment e disputar a presidência do Senado

O objetivo do movimento, conforme os aliados, seria obter o compromisso de parlamentares de direita para interromper a pressão por afastamentos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), direcionando as negociações para mudanças estruturais no Judiciário em vez de processos de impeachment. Entre os alvos frequentes desses pedidos está o ministro Alexandre de Moraes, relataram os interlocutores.

Os aliados também indicaram que uma etapa anterior poderia ser buscar uma decisão do STF sobre uma lei que reduz penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023; a aplicação dessa norma está suspensa por decisão do ministro relator até conclusão do plenário sobre sua constitucionalidade.

Repercussão para o Rio Grande do Norte

O cenário tem implicações locais: o senador Rogério Marinho (PL-RN) é citado entre os potenciais candidatos à presidência do Senado, o que coloca em destaque a bancada potiguar nas articulações para 2027. A bancada do PL, que será a maior, também foi mencionada pelos interlocutores como peça central na disputa pelos votos.

Para ser reeleito, o presidente do Senado precisa de pelo menos 41 votos numa votação secreta; os aliados avaliaram que a composição da próxima legislatura e a reeleição presidencial influenciam as chances de sucesso de negociações que envolvam anistia ou indulto.

Os pontos descritos pelos interlocutores incluem ainda o aguardo de desdobramentos como a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país e a necessidade de negociar a anistia com o presidente da República para evitar veto ou reação da base governista durante a tramitação.

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