PGR não identifica abuso de autoridade de Mendonça no caso Master
Parecer enviado ao STF diz que relatórios da PF não têm valor probatório; decisão caberá ao plenário
Por Redação Os Três Poderes ·

A Procuradoria-Geral da República afirmou, em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal no sábado (17.out.2026), que não há evidências de abuso de autoridade na atuação do ministro André Mendonça como relator do caso Master. No documento, a PGR também sustenta que os relatórios da Polícia Federal usados para embasar o pedido de investigação apresentado por Alexandre de Moraes não têm valor probatório suficiente.
O que diz o parecer
Segundo a Procuradoria, os relatórios enviados pela Polícia Federal ao STF a pedido de Alexandre de Moraes registram a própria ausência de valor probatório, e a legislação não estabelece forma específica para a elaboração desse tipo de documento. Por isso, de acordo com a PGR, não se justifica, por ora, a abertura de apuração com base na Lei de Abuso de Autoridade.
“Os relatórios sugerem direção das investigações com vieses desafeiçoados da posição de neutralidade do magistrado incumbido de supervisionar os procedimentos policiais. A representação, contudo, não parece demonstrar que a conduta possa ser reconduzida a ato punido por algum tipo da Lei de Abuso de Autoridade, que é o tema que cabe examinar neste momento”.
A PGR acrescenta que eventuais condutas podem ser analisadas por outras vias: crimes de responsabilidade são da competência do Senado Federal e ações por improbidade administrativa não dependem de autorização prévia do plenário do STF. O parecer foi enviado ao presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin.
Como surgiu o pedido e o contexto
O pedido de investigação contra Mendonça foi apresentado por Alexandre de Moraes com base em relatórios da Polícia Federal que, segundo Moraes, apontavam direcionamento das investigações e indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos nas relatorias dos casos Master e INSS. A iniciativa ocorreu após Mendonça retirar o sigilo de parte das apurações sobre o Banco Master e expor a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, preso na operação Compliance Zero.
O embate levou o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, a intervir e a redistribuir relatorias, inclusive retirando de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.
Decisão caberá ao plenário
Mesmo ao se manifestar contra a abertura de apuração por abuso de autoridade, a PGR ressalta que a palavra final é do plenário do STF, a quem cabe autorizar ou rejeitar pedidos de investigação envolvendo ministros da Corte.
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