Moraes vota por tornar Oswaldo Eustáquio réu em ação do 8 de Janeiro
Relator no STF entende que denúncia da PGR por associação criminosa reúne elementos para abertura de ação penal; 1ª Turma vota até 23 de outubro
Por Redação Os Três Poderes ·

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta sexta-feira (16.out.2026), no plenário virtual da 1ª Turma, para receber a denúncia da Procuradoria-Geral da República e tornar o jornalista Oswaldo Eustáquio réu por associação criminosa em caso relacionado aos atos de 8 de Janeiro e às manifestações contra o resultado das eleições de 2022.
De acordo com o julgamento em curso na 1ª Turma do STF, os ministros têm até 23 de outubro para registrar seus votos. Ainda não votaram Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
O que está em análise
Nesta etapa, segundo o STF, não se discute culpa ou inocência, mas se a denúncia da PGR apresenta elementos mínimos para abertura da ação penal. Relator do caso, Moraes afirmou que os requisitos foram cumpridos.
“São inconstitucionais as condutas e manifestações que tenham a nítida finalidade de controlar ou mesmo aniquilar a força do pensamento crítico, indispensável ao regime democrático, quanto aquelas que pretendam destruí-lo, juntamente com suas instituições republicanas, pregando a violência, o arbítrio, o desrespeito à separação de Poderes e aos direitos fundamentais, em suma, pleiteando a tirania, o arbítrio, a violência e a quebra dos princípios republicanos, como se verifica pelas manifestações criminosas ora imputadas ao denunciado”, escreveu Moraes no voto.
O plenário virtual é o sistema em que os ministros depositam os votos eletronicamente, sem debate presencial, dentro de um prazo definido.
O que diz Oswaldo Eustáquio
Em comunicado, Oswaldo Eustáquio classificou a denúncia da PGR como “estúpida, patética, inconstitucional” e afirmou que a Justiça espanhola já decidiu, por unanimidade, que seus atos não são considerados crimes naquele país. Ele também disse que pretende denunciar Alexandre de Moraes ao Tribunal Penal Internacional e que não obedeceria mais a ordens judiciais do ministro.
“A Audiência Nacional Espanhola já decidiu, por unanimidade, que essa investigação –que estava nas mãos da PF e que no Brasil foi considerada crime– aqui na Espanha é liberdade de expressão.”
Próximos passos
O julgamento segue no plenário virtual até 23 de outubro. Se a maioria da 1ª Turma acompanhar o relator, a denúncia será recebida e a ação penal aberta para instrução e julgamento.
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