Jornalismo · InstituiçõesOS TRÊS PODERES
Notícias de hoje

Publicidade

Eleições 2026: acompanhe ao vivo a apuração do 2º turno para presidente e governador do RN

Após eleição, ministros do STF buscam reduzir tensão com bolsonarismo

Movimento de 'desintoxicação' inclui arquivamentos e redistribuição de inquéritos enquanto governo avalia repercussão da saída de Flávio Bolsonaro ao exterior

Por Redação Os Três Poderes ·

Após eleição, ministros do STF buscam reduzir tensão com bolsonarismo
Foto: Luiz Silveira/STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal adotaram nos últimos dias uma estratégia para reduzir a pressão política e judicial decorrente das narrativas associadas ao bolsonarismo, segundo reportagens assinadas por jornalistas que acompanham a Corte. A estratégia inclui arquivamentos de investigações, redistribuição de inquéritos à presidência e conversas reservadas entre os ministros.

Medidas na Corte

O presidente do STF, Edson Fachin, determinou o arquivamento de vários inquéritos originados no chamado inquérito das fake news e assumiu a coordenação temporária de outras apurações. Em decisões recentes, Fachin também devolveu a relatoria de um caso do INSS ao ministro André Mendonça e deixou sob a presidência do tribunal a condução do chamado caso Master por prazo determinado.

Fontes na Corte explicaram que os arquivamentos realizados nos últimos dias envolveram figuras ligadas ao bolsonarismo e decorreram de fatores como insuficiência de provas, apurações repetidas e prescrição de punições. Ainda de acordo com essas apurações, Fachin tem procurado encerrar investigações acumuladas que foram responsáveis por desgaste entre a Corte e setores bolsonaristas.

Tons diferentes entre ministros

Integrantes do tribunal ouvidos por repórteres descrevem um ambiente em que nem todos os ministros estariam alinhados com a ideia de reduzir a tensão. O ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, combinou ordens mais enérgicas — como a suspensão do passaporte de um investigado — com decisões que recusaram pedidos de medidas cautelares.

Além disso, o ministro Nunes Marques manteve um discurso pela legitimidade do processo eleitoral e tem evitado alimentar teorias conspiratórias, mas também deu andamento a pedidos de anulação de decisões relacionadas a ex-presidente, com prazos para manifestação da Procuradoria-Geral da República e previsão de levar o tema ao plenário.

Repercussões diplomáticas e avaliação do governo

Em paralelo ao movimento no Supremo, o governo federal avalia as consequências da saída ao exterior do filho do ex-presidente, que passou por país vizinho antes de seguir viagem. Autoridades ouvidas por jornalistas indicam que a reação oficial está sendo calibrada: a avaliação é de que, no momento, não há condições políticas para retornar o embaixador ao posto na Argentina e que atos formais de alto nível podem ser evitados.

"Talvez seja necessário", disse uma fonte, ao comentar possibilidades de medidas em nível diplomático.

Entre as alternativas em estudo estão manifestações em patamares mais baixos do que a cúpula do Executivo, a convocação do encarregado de negócios argentino no Brasil ou contatos entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países em reuniões multilaterais próximas.

O que observar

Fontes próximas ao tribunal afirmam que o presidente do STF tem mantido conversas reservadas com pares para identificar saídas que reduzam tensões internas e externas, especialmente diante de um Congresso com postura potencialmente menos alinhada à Corte. No plano político, movimentos sobre a abertura de investigação por suposta interferência estrangeira nas eleições ainda estão em compasso de espera, sem definição de relatoria ou número de procedimento.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Aparece publicamente com o comentário.
Nunca é exibido.
0 de 1.500 caracteres

Leia também