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Abrasca vê risco de alta de tributos para empresas com CBS de 11,3% e IOF

Entidade cobra transparência no cálculo do TCU e critica mudança por decreto na tributação de LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas

Por Redação Os Três Poderes ·

O presidente executivo da Abrasca, Cátilo Cândido, alta de impostos
O presidente executivo da Abrasca, Cátilo Cândido, alta de impostos

A Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas) alertou nesta quinta-feira (29) para o risco de aumento da carga tributária sobre empresas caso prevaleça a alíquota de referência de 11,3% da CBS, calculada pelo TCU, e se o governo vier a alterar por decreto o IOF sobre instrumentos de financiamento. Segundo a entidade, as mudanças podem elevar custos para empresas e consumidores e encarecer o crédito.

O que está em discussão

De acordo com a associação, a alíquota de 11,3% da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) ficou acima das estimativas usadas no planejamento das companhias e reflete a ampliação de benefícios e regimes diferenciados durante a tramitação da reforma tributária. A Abrasca afirma que tratamentos favorecidos a determinados setores exigem compensações por meio de alíquotas mais altas para os demais contribuintes.

A entidade também manifestou preocupação com a possibilidade de o Executivo elevar, por decreto, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incidente sobre títulos usados para financiar os setores imobiliário, do agronegócio e de infraestrutura, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas.

TCU, Senado e o princípio de neutralidade

A Abrasca sustenta que a reforma tributária foi aprovada com o compromisso de neutralidade da carga e cobra que esse princípio seja observado na implementação do novo sistema. Conforme a entidade, cabe ao Senado deliberar, até 15 de dezembro, sobre o percentual de referência da CBS. A associação pede transparência nas premissas utilizadas pelo TCU para chegar aos 11,3%.

IOF e decisões anteriores do Congresso

Sobre o IOF, a associação lembra que, em 2025, o Congresso rejeitou duas iniciativas de aumento de tributação: a Câmara derrubou, por 383 votos a 98, um decreto que elevava o imposto, e o Legislativo deixou perder a validade a MP 1.303, que tributava esses títulos. Para a Abrasca, retomar medidas nessa direção contornaria decisões já tomadas pelo Parlamento.

“Quem decide um investimento hoje precisa saber quanto vai pagar de imposto nos próximos anos. O que se espera é que a carga, que já é elevada, não aumente, nem pela calibragem da reforma nem por decreto”, afirmou Cátilo Cândido, presidente-executivo da Abrasca.

A entidade avalia que elevar tributos sobre instrumentos de financiamento encarece o crédito e desestimula investimentos produtivos.

“Taxar quem financia a produção para fechar a conta do ano é trocar arrecadação de curto prazo por crédito mais caro por muitos anos”, declarou a associação.

Por que importa

Segundo a Abrasca, a combinação de uma alíquota de CBS acima do esperado e de mudanças no IOF teria efeito direto sobre o custo do capital e o preço do crédito no país, com reflexos para projetos produtivos e para o consumidor final. A entidade defende que o ajuste fiscal ocorra por meio da eficiência do gasto público, sem aumento de impostos.

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