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Governo mobiliza AGU para retirar posts que incentivem assédio eleitoral

Medidas serão iniciadas por via extrajudicial e em coordenação com Justiça do Trabalho e MPT

Por Redação Os Três Poderes ·

Governo mobiliza AGU para retirar posts que incentivem assédio eleitoral

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (28) que a Advocacia-Geral da União, em articulação com o Ministério da Justiça e o Ministério do Trabalho, vai solicitar às plataformas digitais a retirada de conteúdos e perfis que promovam assédio eleitoral contra trabalhadores.

Como serão as medidas

Segundo a procuradora nacional da União de Trabalho e Emprego da AGU, Lívia Andrade, a primeira etapa será por meio de notificações extrajudiciais para exclusão de publicações consideradas ilícitas. Ela informou que, conforme as irregularidades identificadas, o órgão poderá ajuizar ações civis públicas e compartilhar informações com o Ministério Público do Trabalho.

“Vamos tomar, a princípio, medidas extrajudiciais contra as redes sociais para exclusão da publicação ou de perfis que tenham perpetrado esse tipo de abuso”, declarou.

Monitoramento e deveres das plataformas

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, afirmou que a pasta monitora conteúdos com ameaças, constrangimentos e outras formas de pressão sobre trabalhadores por sua escolha política. Ele disse que, quando cabível, o Ministério da Justiça poderá acionar o Ministério Público e a Agência Nacional de Proteção de Dados.

De acordo com Borges, decisões do Supremo Tribunal Federal e decretos editados em 2026 estabeleceram deveres de cuidado e procedimentos para lidar com conteúdos ilícitos, inclusive com possibilidade de remoção proativa pelas plataformas em casos previstos nas normas. Ao mesmo tempo, destacou que a aplicação das regras depende do enquadramento jurídico de cada caso e que nem toda manifestação política caracteriza assédio eleitoral.

“Já há registro de casos que envolvem as relações de trabalho e que expressam diversas formas de opressão, de assédio e de constrangimento à liberdade dos trabalhadores em relação ao voto, inclusive com chamamentos a boicotes, a demissões”, afirmou.

Relatos e atuação integrada

O MPT informou ter recebido mais de 1.140 relatos de assédio eleitoral nos três dias seguintes ao segundo turno e um total aproximado de 3.080 registros durante o processo eleitoral de 2026. Segundo o procurador Maurício Coentro Paes de Mello, os números ainda estão em atualização e passam por análise para identificar as modalidades mais recorrentes.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que a retirada de conteúdos integra uma ação mais ampla contra ameaças e represálias políticas nas relações de trabalho, com intensificação de fiscalizações e busca de responsabilização de empresas que pratiquem irregularidades. A atuação envolve o Ministério do Trabalho, o Ministério da Justiça, a AGU, o MPT e a Justiça do Trabalho.

Abrangência

As medidas têm alcance nacional e observam a legislação vigente e os procedimentos de apuração de cada caso, segundo os órgãos. Empresas e trabalhadores do Rio Grande do Norte e de todo o país estão sujeitos às mesmas regras.

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