Pressionado a ampliar programas, Lula tenta fechar contas do governo
Governo fala em remanejar até R$ 20 bi; IFI vê rombo maior e escolha da Fazenda vira termômetro
Por Redação Os Três Poderes ·

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou nesta quarta-feira (28) as discussões da transição com o desafio de acomodar novas despesas sociais e preservar o equilíbrio das contas públicas, segundo informações do governo federal.
Pacote social e espaço no Orçamento
De acordo com o Executivo, estão em avaliação a ampliação do Pé-de-Meia para universitários, a criação de uma linha de R$ 5 mil via Pix para microempreendedores, reajustes no Bolsa Família e tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Cálculos preliminares do governo apontam necessidade de remanejar cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento do próximo ano para acomodar as medidas.
Estimativas da IFI elevam a cautela
Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), o cenário pode ser mais desafiador: a conta chega a quase R$ 300 bilhões quando somados gastos previstos, renúncias fiscais em vigor e operações de crédito anunciadas ao longo do ano.
Fazenda no foco
A escolha do titular do Ministério da Fazenda é tratada como um sinal do compromisso com a disciplina orçamentária. No radar do Palácio do Planalto aparecem o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles. Segundo lideranças do Planalto, a permanência do atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, não está descartada.
Reformas em debate no Congresso
O governo também deve apoiar duas frentes de mudanças no Legislativo: a reforma político-eleitoral e alterações no Judiciário. Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta, anunciou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir o voto distrital misto.
"Nós queremos fazer essa construção por PEC, pois ela traz mais segurança jurídica e, claro, mais legitimidade do ponto de vista do Parlamento para fazer uma mudança estruturante nesse sentido de poder trazer um avanço, uma melhoria no atual sistema eleitoral que nós temos", disse Hugo Motta.
No campo do Judiciário, o governo indica apoio a mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), como a fixação de mandatos para ministros e a definição de novos limites para decisões monocráticas.
Contexto e possíveis efeitos para o RN
Uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos, com três quintos dos votos, na Câmara e no Senado. As definições fiscais e eventuais reformas podem afetar repasses e investimentos, com impacto nas finanças de estados e municípios — incluindo o Rio Grande do Norte e Natal, que acompanham as discussões à espera de regras e valores no Orçamento federal.
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