Avanço da reforma tributária define alíquota da CBS, mas setores alertam para prazos e custos
TCU fixou percentual de referência para a CBS; governo deve enviar MP e PEC com regras do Imposto Seletivo e prorrogação do IPI
Por Redação Os Três Poderes ·

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na quarta-feira passada (28) uma alíquota de referência para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que servirá como base para a cobrança do novo tributo a partir de 2027. A definição foi encaminhada ao Senado Federal, que terá até dezembro para deliberar sobre a taxa por meio de resolução.
Além da definição da CBS, o governo federal planeja enviar medidas legislativas nesta semana: uma medida provisória com as alíquotas do Imposto Seletivo e uma proposta de emenda constitucional (PEC) para prorrogar temporariamente a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre parte dos itens que passarão a ser taxados pelo Seletivo. O Imposto Seletivo precisa respeitar um período de noventena, de 90 dias, para começar a vigorar após a publicação da MP.
O que muda e o calendário
Com as decisões, o cronograma oficial prevê 2026 como ano de testes dos novos tributos, sem cobranças, e o início da cobrança da CBS sobre a maioria dos bens e serviços a partir de 1º de janeiro de 2027. Para evitar perda de arrecadação no curto prazo, o governo pretende manter a incidência do IPI sobre alguns produtos enquanto o Seletivo não estiver em vigor e divulgar nos próximos dias a lista de itens que continuarão a pagar IPI.
A proposta também cria um imposto específico para produtos e serviços considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente — como veículos, embarcações, cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, entre outros —, cuja alíquota será detalhada na MP do Imposto Seletivo.
Reações do setor produtivo
Representantes empresariais e frentes parlamentares manifestaram preocupação com o impacto da transição sobre a carga tributária e com o prazo para adaptação. A Coalizão das Frentes Produtivas — que reúne frentes parlamentares e entidades do setor — afirmou que a reforma precisa garantir que a substituição dos tributos atuais pela CBS e pelo Seletivo não resulte em aumento da carga na transição, e pediu que o Senado analise com rigor os cálculos apresentados pelo TCU.
"Reafirmamos, igualmente, a necessidade de que a implementação da Reforma Tributária preserve efetivamente o compromisso de neutralidade da carga tributária, evitando que a transição para o novo sistema se converta em mais um fator de aumento de custos para empresas e consumidores", disse a coalizão.
Consultorias e advogados ouvidos pelo setor também apontam insegurança jurídica enquanto alíquotas e regras acessórias não estiverem definidas. A advogada Priscila Faricelli, sócia da área tributária do Demarest Advogados, afirmou que a indefinição impede orçamentos e planejamentos para 2027 e que há expectativa entre empresários de que a vigência da reforma seja postergada.
"A falta de alíquotas e de transparência tem impedido que as empresas façam seus orçamentos e se preparem para o ano que vem", declarou Priscila Faricelli.
Desafios operacionais
Empresas também reclamam das obrigações acessórias e da necessidade de adaptar sistemas de faturamento, notas fiscais e processos internos num prazo considerado apertado. Para parte do setor, o custo dessas adaptações não tem sido integralmente considerado pelo governo e pode acabar sendo repassado aos consumidores.
As decisões sobre alíquotas e a publicação das listas de produtos com manutenção ou isenção do IPI devem orientar o planejamento empresarial para 2027. A discussão seguirá no Congresso nas próximas semanas, com o Senado tendo papel central na homologação da alíquota de referência da CBS e na análise da PEC proposta pelo Executivo.
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