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Relatório da Defensoria aponta agressões a moradores durante megaoperação no Rio

Documento analisa vídeos de policiais e descreve sufocamento, uso de eletrochoque contra mulheres e coerção para apagar gravação

Por Redação Os Três Poderes, com informações do G1 ·

Relatório da Defensoria aponta agressões a moradores durante megaoperação no Rio

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro encaminhou nesta segunda-feira um relatório que reúne análise de milhares de vídeos produzidos por policiais durante a Megaoperação Contenção, realizada nos Complexos da Penha e do Alemão. O documento descreve episódios em que moradores foram agredidos, como um mototaxista sufocado, mulheres atingidas por armas de eletrochoque e um idoso obrigado a apagar imagens que fazia com o celular.

O que o relatório encontrou

Segundo a Defensoria, foram examinados 10.202 arquivos vinculados a 529 policiais. As imagens registram abordagens em que pessoas recebiam tapas, chutes e choques elétricos; em um supermercado, o uso de gás lacrimogêneo teria provocado mal-estar entre funcionários. Em diversas gravações, policiais teriam feito ameaças e comentários que, conforme os peritos do documento, indicam intenção de violência.

O relatório aponta também episódios em que câmeras corporais foram obstruídas, retiradas do uniforme ou direcionadas para paredes e tetos. Em pelo menos dois casos, a mesma identificação de registro (RG) apareceu associada a mais de uma câmera gravando simultaneamente em locais diferentes. Havia, ainda, vídeos entregues sem o código de verificação que comprova a integridade do arquivo.

Questões sobre as 122 mortes

Embora a operação tenha resultado em 122 mortos, o material analisado não contém registros dos momentos em que ocorreram os óbitos. A Defensoria destaca que essa lacuna dificulta apurar a dinâmica dos fatos e a atuação individual dos policiais. O relatório afirma que não é possível concluir, apenas com os arquivos recebidos, se as imagens não foram produzidas ou se deixaram de ser disponibilizadas.

Exemplos citados no documento

Entre os episódios descritos está o de um homem detido por policiais, imobilizado no chão, sobre o qual teriam sido proferidas ameaças de execução e foi colocado um pano ensanguentado sobre a cabeça. Segundo o relatório, há trechos em que agentes dizem expressões como “vamos matar essa p*rra” e instruem a levar a pessoa para um local isolado, além de um intervalo sem registros antes de reaparecer a arma que teria sido apontada contra a equipe.

Outro caso relatado envolve um idoso que filmava uma abordagem e, conforme o documento, foi pressionado por policiais a apagar o vídeo. Há também relatos de mulheres atingidas por choque elétrico já rendidas, e de funcionários de um supermercado que passaram mal após emprego de gás lacrimogêneo, enquanto policiais riboteavam a cena, segundo a Defensoria.

Consequências e passos seguintes

O relatório foi elaborado pela 3ª Defensoria Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos em parceria com o Projeto Mirante e com apoio de pesquisadores. A Polícia Federal chegou a devolver as gravações da Polícia Militar para que fossem indicados os trechos relevantes, tarefa que não foi concluída diante do volume total de horas disponibilizadas, estimado em cerca de 4,5 mil horas.

A Defensoria recomenda que sejam esclarecidas as lacunas na entrega e no funcionamento das câmeras, que se investiguem as hipóteses de obstrução deliberada das gravações e que se apure a responsabilidade pelos episódios de agressão e ameaça narrados no relatório. A corporação mencionada no documento ainda não havia se manifestado sobre as conclusões até a divulgação do relatório, segundo os autores.

Impacto para o Rio de Janeiro

Para a esfera pública do estado, o relatório abre questionamentos sobre controle, transparência e responsabilização em operações de grande porte. A ausência de imagens-chave e as denúncias de violência contra moradores podem influenciar investigações administrativas e judiciais e afetam a percepção da população sobre o uso de força por parte das forças de segurança.

Com informações do G1

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