Câmara articula proposta para mudar eleição de deputados e adotar sistema distrital misto
Líderes e presidentes de partido querem retomar PEC que divide cadeiras entre votos distritais e listas partidárias; implementação total seria em 2034
Por Redação Os Três Poderes ·

Líderes da Câmara dos Deputados e presidentes de partidos articulam a retomada de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que mudaria a forma de eleger deputados, instituindo o chamado sistema distrital misto, informou a liderança da Casa. A ideia é iniciar uma transição nas próximas eleições e fazer a adoção integral do novo modelo nas eleições de 2034.
Por que a mudança está em pauta
Segundo parlamentares, a proposta ganhou força após o resultado das eleições de 2026, em que o Partido Liberal (PL) aumentou sua bancada no Congresso e passou a ter 121 deputados, a maior desde a Constituinte. No entendimento de dirigentes de partidos de centro, a alteração do sistema proporcional atual serviria para frear a perda de espaço dessas legendas no Parlamento.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem levado adiante conversas e disse pretender aprovar a PEC. Motta também tem dialogado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar agilizar a tramitação, já que os senadores são chamados a votar a proposta mesmo que as mudanças não afetem diretamente as eleições para o Senado.
Como funcionaria o distrital misto
No modelo em estudo, metade das vagas seria preenchida pelos candidatos mais votados em distritos, enquanto a outra metade seria distribuída por meio de listas fechadas de partidos, segundo o relator indicado para a proposta, o deputado Domingos Neto (PSD-CE). A distribuição por lista seguiria a proporção de votos obtidos pelas siglas, com os primeiros nomes da lista ocupando as vagas correspondentes.
O texto em discussão prevê que, em 2034, o eleitor votaria apenas uma vez para deputado em seu distrito, e esses votos também seriam contabilizados em nível estadual para definir quantas vagas cada partido poderá preencher pela lista. Domingos Neto afirmou que as listas deveriam obedecer regras de inclusão e cotas para mulheres, negros e pardos, mas parlamentares ainda têm dúvidas sobre como a diversidade seria garantida caso os partidos possam ordenar suas listas.
Resistências e alternativas
O PL não demonstrou interesse em mudar o sistema, e integrantes do PT expressaram reservas sobre alterar regras logo após uma eleição disputada, por temerem que a mudança seja interpretada como cerceamento de adversários. Deputados do PSOL também criticam o distrital misto, por entenderem que prejudicaria a representação de grupos minoritários.
Há ainda defensores do chamado distritão — um sistema majoritário em que os mais votados seriam eleitos sem distribuição por lista —, mas especialistas e parte do Congresso apontam riscos à renovação legislativa e à igualdade de condições de disputa. Em 2017 e 2021, a Câmara já tentou aprovar mudanças nesse sentido, sem obter votos suficientes.
Pontos em aberto
Entre as questões ainda por definir está como os estados seriam divididos em distritos. Parlamentares mencionaram preocupação com o impacto sobre votos que hoje se dispersam por várias cidades que poderiam ficar em distritos distintos. Domingos Neto propôs que critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) orientem a definição dos distritos e que uma comissão mista do Congresso acompanhe a implementação.
Defensores do distrital misto destacam potenciais vantagens, como redução de custos de campanha e maior aproximação entre deputados e problemas locais, já que candidatos precisariam atuar em áreas geográficas menores. Ainda assim, líderes partidários avaliam que a tramitação enfrenta resistências e que o texto precisa ser costurado tanto na Câmara quanto no Senado antes de seguir adiante.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Brasil Relatório da Defensoria aponta agressões a moradores durante megaoperação no Rio
Documento analisa vídeos de policiais e descreve sufocamento, uso de eletrochoque contra mulheres e coerção para apagar gravação
Brasil Simone Tebet surge como opção para vaga no Supremo, dizem interlocutores
Aliados teriam levado o nome de Tebet ao presidente; outras autoridades também aparecem na lista de cotados
Brasil Trump diz não ter agenda para encontro com Flávio Bolsonaro e admite que ele pode ficar nos EUA
Presidente americano afirmou não planejar reunião com o senador e criticou a eleição brasileira; questionamentos no Congresso dos EUA buscam esclarecer papel do governo na entrada de Flávio no país