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Virada no 2º turno: dados, abstenção e redes mudaram a campanha de Lula

Sala de situação em Brasília, análise regional e atuação digital orientaram as decisões na reta final

Por Redação Os Três Poderes ·

Virada no 2º turno: dados, abstenção e redes mudaram a campanha de Lula

Após ficar atrás no primeiro turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recalibrou a estratégia no segundo turno e, segundo a coordenação, combinou análise de dados, foco na abstenção e comunicação direta nas redes para alcançar a virada.

Estrutura montada após o 1º turno

De acordo com o secretário de Organização do PT, Laércio Ribeiro de Oliveira, foi criada em 5 de outubro, em Brasília, uma sala de situação para monitorar resultados e orientar ações regionais. A equipe reunia integrantes em uma base física e uma central virtual com participantes de diferentes estados.

Houve mudança na coordenação nacional: o senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a coordenação política; o senador eleito Rui Costa (PT-BA) passou a coordenar a agenda; e Rafael Fonteles (PT-PI), governador reeleito, ficou responsável pela comunicação, conforme informou a campanha.

Dados e segmentação de mensagens

Segundo a coordenação, os dados do Tribunal Superior Eleitoral foram destrinchados para identificar onde seria mais eficaz elevar a rejeição ao adversário, onde intensificar mensagens positivas sobre Lula e onde priorizar a mobilização de quem havia se abstido no primeiro turno.

A campanha produziu materiais específicos por tema e objetivo: conteúdos voltados a ampliar rejeição onde isso era apontado como mais efetivo e, em outras praças, mensagens propositivas com foco no futuro para reforçar a mobilização em torno do presidente.

Redes sociais e mobilização digital

Paralelamente às agendas de rua, a equipe intensificou a presença digital de Lula, com vídeos direcionados a estados como Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco, buscando apresentá-lo como estadista. Também ganhou peso a mobilização liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que, segundo a campanha, coordenou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com ampla base de seguidores, e orientou estratégias de engajamento nas plataformas.

Para Laércio Ribeiro de Oliveira, a disputa reforçou que métodos tradicionais de organização seguem relevantes, mas insuficientes isoladamente, exigindo comunicação direta e segmentada com o eleitorado.

Números do 1º e do 2º turnos

Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, a diferença no primeiro turno foi a menor desde a redemocratização: Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16% (1,87 ponto percentual de distância). No segundo turno, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio.

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