Esquerda prepara reação à bancada recorde do PL no Senado em 2027
Eleitos de PT, PSB e PDT falam em alianças pontuais, diálogo e mobilização social; senadores veem avanço de pautas de costumes
Por Redação Os Três Poderes ·

Senadores eleitos e reeleitos de PT, PSB e PDT afirmam preparar uma atuação coordenada para a próxima legislatura, em 2027, diante de uma bancada recorde do PL, que deverá ocupar mais de um terço das cadeiras do Senado.
Estratégias em discussão
Os parlamentares ouvidos defendem construir alianças por pauta, manter o diálogo com adversários em temas específicos e mobilizar a sociedade para evitar retrocessos em direitos sociais. Eles também falam em combinar trabalho nas comissões, apresentação de projetos e uso da tribuna.
Reeleito, Humberto Costa (PT-PE) disse ver na nova composição um perfil mais “radical e agressivo” e afirmou que poderá haver maior circulação de pautas de costumes, como tentativas de restringir o aborto nos casos hoje previstos em lei. Segundo ele, o governo ainda assim terá condições de aprovar projetos que já estariam alinhados internamente; o senador citou como exemplo a proposta de fim da escala 6x1.
Eleita pelo Rio Grande do Norte, Samanda de Lula (PT) defendeu organização, firmeza e capacidade de articulação para não ceder em direitos trabalhistas, sociais e de proteção a mulheres, crianças e populações vulneráveis.
“Para evitar retrocessos, será preciso combinar atuação parlamentar, articulação política e mobilização da sociedade”, afirmou.
Marília Arraes (PDT-PE), também estreante, disse apostar no diálogo com quem pensa diferente e na apresentação de propostas ligadas a segurança, emprego, renda e saúde.
“Precisamos conversar com quem pensa diferente, ouvir as insatisfações e mostrar como nossas propostas respondem aos problemas reais de segurança, emprego, renda, saúde e oportunidades”, afirmou. Cid Gomes (PSB-CE), reeleito, minimizou o crescimento da direita ao dizer que o grupo tem força para impulsionar pedidos como CPIs, mas não enxerga maioria automática; ele citou Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) como interessados em disputar o comando da Casa.
Disputa pelo comando do Senado
Sobre a eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027, Humberto Costa defendeu a construção de uma aliança com setores do centrão e disse ver possibilidade de apoio à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), condicionada a não haver concessões em temas que considera inegociáveis, como a anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Contexto e possíveis pautas
A composição final do Senado pode sofrer alterações até fevereiro de 2027, com eventuais mudanças partidárias e convites para cargos no Executivo. Os senadores preveem que temas de costumes ganhem espaço no debate. Hoje, a legislação brasileira permite o aborto em três situações: gestação decorrente de estupro, risco de vida para a pessoa que gesta e casos de anencefalia fetal.
O que muda para o RN
Para o Rio Grande do Norte, a presença de Samanda de Lula no Senado tende a impactar diretamente a representação do Estado nas discussões nacionais. Segundo a senadora eleita, a estratégia combinará atuação em comissões, apresentação de projetos e uso da tribuna para dar visibilidade a pautas prioritárias e buscar maiorias em votações decisivas.
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