Governo federal evita crise diplomática após envolvimento de assessor da Casa Branca no caso Flávio Bolsonaro
Diplomatas e auxiliares do presidente Lula adotam postura pragmática e buscam canalizar o episódio pela via diplomática
Por Redação Os Três Poderes ·

O governo federal decidiu adotar uma postura pragmática para não transformar em crise diplomática o episódio em que um assessor da Casa Branca teria contratado o avião usado por Flávio Bolsonaro em sua ida aos Estados Unidos, conforme avaliação de diplomatas e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reação oficial e articulação diplomática
Segundo integrantes da equipe presidencial consultados pela reportagem, a estratégia é evitar confrontos diretos com o governo dos Estados Unidos e priorizar a manutenção de canais de diálogo. A avaliação interna é de que o episódio já gera pressão sobre o presidente americano, Donald Trump, e pode ter repercussões políticas internas nos EUA.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve aproveitar a reunião de chanceleres do G20 para tentar falar com seu colega americano, Marco Rubio. A intenção, segundo a equipe brasileira, é levar informações diplomáticas e reforçar que até o partido de Flávio Bolsonaro reconheceu a vitória de Lula nas eleições recentes.
Contexto político e calendário de encontros
Auxiliares do presidente lembram que haverá novos momentos de interlocução entre os dois chefes de Estado: além da reunião de chanceleres no fim de semana, está prevista a participação de Lula na cúpula do G20 em dezembro, quando haverá novo encontro com Trump. A equipe ressalta que o Brasil precisa manter relações que permitam negociações de interesse econômico e comercial.
Nos bastidores, a preocupação do governo é equilibrar a resposta às revelações sobre o envolvimento de um funcionário da Casa Branca com a necessidade de preservar relações institucionais com os Estados Unidos, dado o impacto que atritos podem ter em pautas bilaterais.
O que está em aberto
Diplomatas e assessores citam também a falta de respostas claras sobre quem pagou o jato contratado pelo assessor americano identificado nas apurações. A questão, dizem, tende a alimentar pressão política nos Estados Unidos, especialmente em um momento de disputa pela renovação do Congresso norte-americano.
O governo brasileiro, conforme a avaliação interna, seguirá acompanhando o desdobramento das apurações e buscando tratar o caso por meio de canais diplomáticos, sem escalonar o incidente a uma crise formal entre Brasília e Washington.
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