Governistas classificam carta de Flávio Bolsonaro como 'piada e delírio'
Parlamentares da base, ministros e integrantes do Centrão criticaram a autoproclamação de Flávio como 'presidente eleito' e dizem que nota atrapalha processo de pacificação pós-eleição
Por Redação Os Três Poderes ·

Governistas reagiram com críticas duras à carta divulgada nesta quarta-feira em que o parlamentar Flávio Bolsonaro (PL) se autodeclarou, sem apresentar provas, o "presidente eleito do Brasil" e, em seguida, passou a se referir a si como "líder do Brasil". Parlamentares da base e ministros de estado chegaram a classificar o documento como "piada e delírio", segundo interlocutores citados pela fonte.
Reação do Planalto e da base
Nos bastidores, disseram integrantes do Planalto, a nota foi tratada como uma "oficialização de uma conspiração contra o Brasil". Entre parlamentares da base e ministros, a avaliação foi de que a intenção por trás da carta seria tentar causar dano político ao governo e atrair repercussão junto a líderes da direita internacional.
Fontes consultadas relataram também críticas internas no Centrão. Deputados e senadores desse bloco afirmaram que o parlamentar deveria permanecer no país e atuar como líder da oposição, especialmente depois de mobilizar uma votação expressiva. Para esses parlamentares, a publicação da carta dificulta a possibilidade de o país "virar a página" após uma disputa eleitoral apertada.
Posição do PL e objetivos apontados
Segundo relatos da fonte, a direção da bancada do PL disse que "entende a preocupação de Flávio" e que não foi consultada sobre a emissão da nota. Ainda assim, muitos parlamentares do partido avaliaram que "a carta não ajuda" no atual momento político.
Também há quem defenda a iniciativa do parlamentar, com a interpretação de que o objetivo seria influenciar líderes estrangeiros — citados por interlocutores como o presidente dos Estados Unidos e o da Argentina — para não reconhecer a reeleição do atual presidente. Essas avaliações foram apresentadas por aliados e opositores ouvidos nos bastidores.
O que diz a carta
Na primeira declaração oficial após deixar o país, Flávio Bolsonaro afirmou ser o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", sem apresentar provas da alegada fraude no segundo turno. Depois, a versão do documento foi alterada, passando a descrevê-lo como "líder do Brasil".
A publicação gerou reação imediata no cenário político, com articulações e declarações internas que refletem preocupação sobre o efeito da nota na estabilidade política e na condução do debate pós-eleitoral.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Política Aliados divulgam carta em que Flávio Bolsonaro se diz “presidente eleito”
Documento atribuído ao senador foi divulgado por apoiadores nesta quarta (28); afirmação é política e não tem reconhecimento institucional
Legislativo Senado aprova ampliação do adicional de fronteira e inclui Amazônia Legal
Valor diário passará de R$ 91 para R$ 191 em 2027; mais carreiras e localidades serão contempladas, e texto segue para sanção
Política Marinho liga relatos de assédio eleitoral a discurso da família Bolsonaro
Ministro disse que manifestações de ódio influenciaram condutas no trabalho e anunciou prioridade de fiscalização em articulação com o MPT e a AGU
