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Marinho liga relatos de assédio eleitoral a discurso da família Bolsonaro

Ministro disse que manifestações de ódio influenciaram condutas no trabalho e anunciou prioridade de fiscalização em articulação com o MPT e a AGU

Por Redação Os Três Poderes ·

Marinho liga relatos de assédio eleitoral a discurso da família Bolsonaro

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira (28 de outubro de 2026), em Brasília, que o aumento dos relatos de assédio eleitoral após o 2º turno está ligado ao discurso político de integrantes da família Bolsonaro e anunciou que a apuração dos casos será priorizada por auditores-fiscais do Trabalho.

O que disse o ministro

Marinho declarou que manifestações de ódio e preconceito teriam estimulado comportamentos irregulares nas relações de trabalho. Em uma das falas, afirmou:

“Essa família que está fugindo quase toda para os Estados Unidos estimulou muito ódio, muita raiva, muito preconceito”.
Segundo ele, alguns empregadores teriam pressionado trabalhadores por suas escolhas políticas. O ministro também disse que divergências eleitorais não podem resultar em ameaças, demissões ou outras formas de discriminação.

Medidas de fiscalização

De acordo com o ministro, a fiscalização será realizada nacionalmente, em articulação com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Advocacia-Geral da União (AGU) e outros órgãos. Empresas citadas nos relatos poderão ser chamadas para reuniões com representantes dos trabalhadores e sindicatos. Quando houver irregularidades, o governo pretende buscar reintegração de empregados demitidos por motivação política, reparações financeiras e outras providências previstas em lei. Marinho afirmou:

“Se demitiu, tem que reintegrar. Se não reintegrar, tem que indenizar”.
Ele disse ainda que está em estudo a criação de uma lista pública de empresas responsabilizadas por assédio eleitoral, proposta ainda não formalizada, e declarou:
“Se tiver mau empresário, conte com a mão pesada do Estado que nós estamos anunciando aqui”.

O que diz o MPT

O posicionamento do ministro ocorreu após o MPT informar um aumento de relatos de assédio eleitoral depois do 2º turno. Segundo o procurador Maurício Coentro Paes de Mello, o órgão recebeu mais de 1.140 relatos nos três dias posteriores à votação e somou aproximadamente 3.080 registros ao longo do processo eleitoral de 2026. Questionado sobre as razões da alta, o procurador afirmou que os registros ainda estão em análise e que não há elementos suficientes para explicar o fenômeno.

“Entender o porquê isso aconteceu no momento pós-eleitoral é um pouco difícil neste momento”.
Foi ao comentar esse cenário que Marinho fez a associação com o discurso de integrantes da família Bolsonaro, sem apresentar dados que estabeleçam relação causal direta.

Contexto

O governo informou que pretende orientar sindicatos e trabalhadores sobre os canais de comunicação de casos de assédio e divulgar informações sobre o tema na Carteira de Trabalho Digital. O ministro ressaltou que as medidas buscam responsabilizar empregadores que pratiquem irregularidades e que a proteção deve valer para trabalhadores de qualquer posicionamento político.

“Não cabe pressão nem pra lá e nem pra cá”.

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