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Edinho relata impasse com campanha de Flávio para incluir a Alcazar Holdings

Petista diz que equipe de Flávio aceitou incluir empresa ligada a Willer; pedido prevê que André Mendonça requisite dados

Por Redação Os Três Poderes ·

Edinho relata impasse com campanha de Flávio para incluir a Alcazar Holdings

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quinta-feira (22.out.2026) que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) inicialmente resistiu a incluir a Alcazar Holdings no acordo de abertura de sigilos. Segundo ele, após tratativas, a equipe do candidato concordou com a inclusão. As declarações foram feitas a jornalistas.

Edinho disse que o pedido apresentado autoriza o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a solicitar dados sobre a Alcazar Holdings — apontada como uma offshore com sede na Ilha da Madeira e vinculada ao advogado Willer Tomaz, que é citado em apuração da Polícia Federal. Para o dirigente petista, esse passo permitirá esclarecer potenciais vínculos financeiros entre o advogado e o candidato do PL.

“Agora nós vamos saber quais são as relações existentes, porque nós, a partir dessa petição, o ministro André Mendonça, bom que diga, o ministro André Mendonça, tem todo o poder para requisitar todas as informações em relação a essa empresa e mais as relações do Willer Tomaz com o Flávio Bolsonaro”, disse Edinho.

Contexto

O confronto foi desencadeado no debate presidencial de domingo (18.out), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico. Na terça-feira (20.out), a defesa do petista levou ao TSE um pedido para tornar públicos dados financeiros, fiscais e telefônicos dele, de familiares e de empresas associadas, condicionando a medida a gesto equivalente do adversário. A Alcazar Holdings já aparecia nessa relação.

Na quarta (21.out), a campanha de Flávio apresentou petição com 19 exigências, entre elas informações de familiares de Lula, do Instituto Lula, do empresário Daniel Vorcaro e gastos da Presidência da República. Nesta quinta (22.out), segundo Edinho, a campanha petista protocolou resposta aceitando as condições elencadas pelo candidato do PL.

O que diz a investigação

Conforme documentos da Polícia Federal, o nome de Flávio foi registrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings — perfil que confere acesso e administração da conta. Para os investigadores, esse registro é visto como um possível indicativo de participação econômica ou societária do senador na empresa.

Os mesmos autos apontam que a Alcazar teria cota em uma aeronave executiva utilizada por Flávio em deslocamento entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025.

Posicionamentos

A defesa de Flávio Bolsonaro nega a existência de negócios do senador com Willer Tomaz e sustenta que ele não é alvo de investigação no STF no procedimento que envolve o advogado, além de afirmar que não há decisão judicial que determine a abertura de novo inquérito.

A defesa de Willer Tomaz também rejeita qualquer irregularidade e alega que suas empresas e participações são legais, declaradas e registradas. Em nota anterior, a assessoria do advogado afirmou:

“O senador Flávio Bolsonaro jamais teve acesso ou poderes sobre conta de qualquer empresa do advogado. A relação entre os dois é de antiga amizade entre famílias e amizade não pode ser criminalizada”.

Indagado sobre eventual descumprimento do acordo, Edinho declarou que a divulgação ocorrerá em site governamental indicado na petição e que caberá ao Judiciário adotar as medidas pertinentes. Ele acrescentou que a avaliação política dos candidatos será feita pelos eleitores no segundo turno, marcado para domingo (25.out).

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