Carta de Flávio Bolsonaro agradece apoio de Milei e Trump pela saída do Brasil
Documento divulgado pela assessoria diz que o senador liderará a oposição a partir dos Estados Unidos e repete acusações de fraude eleitoral
Por Redação Os Três Poderes ·

Após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro divulgou uma carta em que agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos EUA, Donald Trump, pelo apoio recebido para sair do país, conforme o documento divulgado por sua assessoria.
O conteúdo da carta
No texto, Flávio Bolsonaro reafirma que fará a liderança da oposição a partir do exterior e afirma que assumirá riscos que, segundo ele, os parlamentares do PL eleitos no país não poderão correr. "Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", diz a carta, citada pela assessoria.
A primeira versão do comunicado, segundo a assessoria, chegou a qualificar o senador como o "verdadeiro presidente eleito do país"; meia hora depois, a expressão foi alterada para "líder do Brasil". O documento também trazia um brasão com a palavra "Brazil" grafada com "z" e a denominação "Estados Unidos do Brazil" no lugar de "República Federativa do Brasil", detalhes citados na versão distribuída à imprensa.
Alegações sobre a votação
Na carta, Flávio Bolsonaro afirma, sem apresentar provas, que a eleição foi fraudada em razão de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, que teria estendido o prazo de votação até as 19h atendendo a pedido das campanhas. As alegações contrariam o reconhecimento do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por observadores internacionais, conforme registros públicos do pleito.
Medidas judiciais e investigações
O comunicado critica ainda a decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu o senador de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático — ordem expedida a pedido da Polícia Federal, segundo a nota. Flávio é alvo de dois inquéritos que tramitam no Supremo: um que o investiga por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme Dark Horse, ambos citados no documento.
Reações externas
Nos Estados Unidos, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados criticou a concessão de visto a Flávio Bolsonaro e comparou o tratamento recebido pelo senador com a política migratória aplicada a pessoas que fogem de conflitos. Em postagem no X, o comitê afirmou: "Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro", disse o órgão legislativo norte-americano.
O senador foi candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado vencedor, segundo os resultados oficiais do TSE. A legenda de Flávio Bolsonaro, o PL, também reconheceu a vitória do presidente eleito, conforme registros partidários citados publicamente.
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