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Licitação dos ônibus de Natal reúne sete concorrentes e oito inscrições

Registros cadastrais apontam sócios em comum entre três empresas; STTU ainda não divulgou a ata da sessão

Por Redação Os Três Poderes ·

Licitação dos ônibus de Natal reúne sete concorrentes e oito inscrições

Sete concorrentes entregaram envelopes para a concessão do transporte coletivo de Natal em 4 de novembro de 2026, na capital potiguar. A próxima etapa será a análise dos documentos de habilitação; a Prefeitura de Natal pretende homologar o resultado até o fim do ano e assinar os contratos no início de 2027.

Os envelopes correspondem a dois lotes, com contrato previsto para 15 anos e receita estimada em R$ 3,8 bilhões. A apuração cadastral mencionada na fonte reúne oito inscrições e aponta que a Transnacional Transportes Urbanos, a Auto Ônibus Santa Maria e a Unitrans Transporte e Turismo têm os mesmos sócios-administradores: Agnelo Cândido do Nascimento e Alberto Pereira Nascimento, ligados ao Grupo A. Cândido, de João Pessoa.

As três empresas também aparecem como sócias umas das outras. A Transnacional está inscrita no Lote 1, que abrange a Zona Norte, enquanto Santa Maria e Unitrans dão nome aos dois consórcios do Lote 2, formado pelas regiões Sul, Leste e Oeste. A composição definitiva de cada consórcio e os CNPJs das inscrições ainda dependem da ata da sessão, que a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) não divulgou.

A Transnacional tem sede na avenida João Medeiros Filho, em Pajuçara, e opera desde 1981; até 2023, usava o nome Reunidas. A Auto Ônibus Santa Maria atua em Pitimbu, em Natal, desde 1980. As duas já são permissionárias do sistema atual. A Unitrans, fundada em 1970, tem sede em João Pessoa.

A Auto Viação Metropolitana, identificada como Via Metro, foi a única concorrente inscrita nos dois lotes. A empresa tem sede em Maracanaú, no Ceará, e é administrada por André Luís Eskinazi de Oliveira. A ligação da empresa com grupos da Bahia ou de Pernambuco não aparece no cadastro da Receita Federal mencionado na fonte.

No Lote 2, também está a Guanabara Empresa de Transporte Coletivo, de Recife, dirigida pela família Chaves e com filiais em Natal e São Gonçalo do Amarante. A PFC Holding foi apontada como pertencente ao mesmo grupo, mas essa relação não foi confirmada porque o CNPJ da holding não foi localizado. Caso a ligação seja comprovada, haveria outro grupo inscrito nos dois lotes com nomes diferentes.

A Atlântico Transportes, de Salvador, tem filiais em Ilhéus, Itabuna, Paulo Afonso e Vitória da Conquista. A empresa assumiu o transporte coletivo de Ilhéus em 2025. A fonte também registra relatos de paralisações de trabalhadores e atrasos em pagamentos em Ilhéus e Paulo Afonso, sem confirmação detalhada no cadastro empresarial.

O Lote 1 tem valor estimado de R$ 1,78 bilhão, e o Lote 2, de R$ 2,06 bilhões. O modelo prevê tarifa de R$ 5,20 para o passageiro, subsídio municipal de cerca de R$ 73 milhões por ano e ampliação do número de linhas de 54 para 85. Depois da habilitação, serão analisadas as propostas econômicas, com vitória definida pela menor tarifa de remuneração. O edital deverá indicar se um mesmo grupo poderá vencer os dois lotes.

Também em 4 de novembro, o Ministério Público publicou portaria do promotor Marconi Antas Falcone de Melo, da 24ª Promotoria de Natal, convertendo em inquérito civil a apuração sobre mudanças ou extinções de linhas sem comunicação adequada e sobre a redução da frota aos domingos, quando há gratuidade para usuários do cartão NuBus. Assinado em 28 de outubro de 2026, o procedimento também acompanhará a licitação.

A STTU recebeu prazo de 15 dias úteis para encaminhar as ordens de serviço que alteraram, unificaram ou extinguiram linhas entre abril e outubro de 2026, além de uma proposta de norma com aviso prévio de 15 dias úteis para mudanças de trajeto e do cronograma da concorrência. Ao Seturn, sindicato das empresas, o promotor solicitou dados sobre a frota de domingos e os canais de informação disponíveis nos terminais e ônibus.

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