PIB dos EUA cresce 3,4% no 3º trimestre; PCE desacelera
Estimativa inicial do BEA indica aceleração da atividade com impulso do investimento e estoques; núcleo do PCE cai para 2,5%
Por Redação Os Três Poderes ·

O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,4% em taxa anualizada no 3º trimestre de 2026, segundo estimativa inicial divulgada nesta quinta-feira (29.out.2026) pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), indicador que costuma influenciar câmbio e condições de financiamento no Brasil.
Sem anualização, o PIB real avançou 0,8% de julho a setembro, e o PIB nominal, a preços correntes, subiu 5,6%, de acordo com o BEA. As vendas finais a compradores privados, que reúnem consumo e investimento fixo privado, cresceram 4,9% no trimestre, acima dos 4,6% do 2º trimestre.
Impulso de investimento e consumo
Segundo o BEA, a aceleração foi puxada pelo investimento privado, com destaque para equipamentos de processamento de informação, especialmente computadores e periféricos. Os estoques privados também aumentaram, influenciados pelo comércio atacadista e pela indústria de transformação, sobretudo em bens não duráveis.
O consumo das famílias avançou em serviços e em bens. Entre serviços, destacaram-se saúde (atendimento hospitalar e ambulatorial) e alimentação e hospedagem (refeições fora de casa). Nos bens, o movimento veio dos não duráveis, liderados por medicamentos prescritos.
Governo, comércio exterior e reservas
Os gastos do governo voltaram a contribuir positivamente, com impulso de despesas federais não militares, informou o BEA. O órgão registrou menores vendas de petróleo bruto da Reserva Estratégica de Petróleo no 3º trimestre em relação ao 2º; nas contas nacionais, essas vendas entram como redução do gasto do governo e não têm efeito líquido no PIB.
O setor externo reduziu o resultado agregado: as exportações recuaram, principalmente pela menor remessa de petróleo e derivados, enquanto as importações avançaram, com destaque para bens de capital (exceto automóveis). No cálculo do PIB, as importações são subtraídas.
Inflação medida pelo PCE
O índice de preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 2,1% no 3º trimestre em taxa anualizada, após alta de 5,0% no trimestre anterior. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, passou de 3,3% para 2,5%, segundo o BEA. O PCE é a referência usada pelo Federal Reserve para a meta de inflação e não é diretamente comparável ao CPI, índice mensal mais divulgado nos EUA.
Próxima divulgação e efeito para o Brasil
De acordo com o BEA, a 2ª estimativa do PIB do 3º trimestre, com dados revisados e informações sobre lucros corporativos, será publicada em 25.nov.2026.
Para o Brasil e para o Rio Grande do Norte, números mais fortes da economia dos EUA, combinados com desaceleração do PCE, tendem a influenciar os mercados financeiros, o câmbio e o custo de financiamento, fatores que afetam empresas, investimentos e preços no país.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Mundo BCE mantém juros em 2,50% ao ano e monitora impacto do choque de energia
Autoridade europeia preserva demais taxas, reforça meta de 2% e avalia condições financeiras mais apertadas
Mundo China afirma respeitar decisão dos brasileiros após suspeitas de Trump
Governo chinês disse respeitar o resultado que reconduziu Lula; fala ocorre um dia após Trump lançar dúvida, sem provas, sobre a eleição
Mundo Lagarde deixa comando do BCE em fevereiro; UE inicia sucessão
Processo para escolher o substituto começa de imediato, em meio a pressões inflacionárias e juros elevados na zona do euro
