Lagarde deixa comando do BCE em fevereiro; UE inicia sucessão
Processo para escolher o substituto começa de imediato, em meio a pressões inflacionárias e juros elevados na zona do euro
Por Redação Os Três Poderes ·

Christine Lagarde renunciou nesta quinta-feira (29) à presidência do Banco Central Europeu (BCE), com saída efetiva em 7 de fevereiro. A troca no comando da autoridade monetária do euro pode influenciar o câmbio e o custo de financiamento no Brasil, pelo peso do BCE nos mercados globais.
Motivos e sucessão
Em vídeo divulgado nas redes, Lagarde afirmou que deixa a instituição com a avaliação de que o BCE está preparado para o futuro.
“Deixo esta instituição com a sensação de um bom trabalho realizado e de um BCE preparado para o futuro”, disse Lagarde, de 70 anos.
Segundo uma fonte com conhecimento direto do assunto, a renúncia permitirá que Lagarde se posicione sobre questões políticas na França e no cenário internacional, algo incompatível com a neutralidade esperada do cargo. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, informou que o processo para escolher a sucessora ou o sucessor começará imediatamente.
A decisão deve integrar um pacote mais amplo de nomeações na alta direção do BCE, que inclui a vaga de Isabel Schnabel, prevista para o início de janeiro, e a do economista-chefe Philip Lane, cuja saída está indicada para maio.
Cenário econômico e juros
A mudança ocorre em um momento de pressões inflacionárias associadas ao encarecimento do petróleo, ligado à guerra no Irã, e de alta nos rendimentos dos títulos públicos, especialmente na França, elevando os custos de financiamento para famílias e empresas.
O BCE está no meio de um ciclo de elevação das taxas. A expectativa amplamente citada é de manutenção da taxa de depósito em 2,5% nesta quinta-feira, com a possibilidade de novo aumento já em dezembro. A decisão sobre juros está prevista para as 10h15 (horário de Brasília), seguida de coletiva de imprensa. Para adiante, os mercados monetários precificam mais três altas até o fim do próximo ano, o que levaria a taxa de depósito a 3,25%.
Reações e nomes cotados
As reações foram divididas. O eurodeputado Markus Ferber (Partido Popular Europeu) considerou que a saída antecipada envia um “sinal errado” num contexto de inflação elevada e eleições à frente, alertando para riscos à confiança na instituição. Já Marcel Fratzscher, que preside o instituto alemão DIW, avaliou que a decisão demonstra senso de responsabilidade ao permitir a escolha de um sucessor comprometido com a independência do BCE.
Entre os cotados para a sucessão estão os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda e da Espanha, Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos. Para Piet Haines Christiansen, do Danske Bank, ambos são banqueiros centrais experientes, e a mudança não deve alterar substancialmente a atuação do BCE. Simon Dangoor, do Goldman Sachs, avaliou que a instituição está consolidada e tende a manter um comportamento semelhante independentemente do nome escolhido.
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