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Comissão de Educação aprova regras para manter estudos de vítimas de violência

Substitutivo altera a Lei da Escuta Protegida e prioriza permanência do aluno; transferência terá matrícula imediata e sigilo

Por Redação Os Três Poderes ·

Comissão de Educação aprova regras para manter estudos de vítimas de violência
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou substitutivo ao PL 2359/26 com medidas para garantir a continuidade dos estudos de crianças e adolescentes vítimas de violência no ambiente escolar ou relacionada à escola. Segundo o colegiado, a proposta altera a Lei da Escuta Protegida e determina providências imediatas por redes de ensino e escolas.

O que foi aprovado

Conforme o texto relatado pela deputada Socorro Neri (PP-AC), a prioridade é manter o estudante na própria escola, com medidas de proteção e reforço da segurança. Se necessário, poderão ocorrer mudanças de turma ou de turno e, em último caso, transferência para outra unidade.

Nas transferências, fica assegurada a vaga e a matrícula imediata na escola de destino. A ausência temporária de documentos não impedirá a frequência, e o estudante terá direito ao aproveitamento das atividades já realizadas no ano letivo. O texto também prevê acompanhamento pedagógico individualizado, flexibilização de prazos de avaliações, recomposição de aprendizagem e sigilo rigoroso sobre os dados do aluno e as circunstâncias da violência.

O substitutivo cria um capítulo específico na lei, denominado “Da Educação”, e estabelece uma ordem de preferência entre as medidas, para evitar que a transferência seja adotada de forma automática. A relatoria destaca que a proteção à vítima não afasta nem retarda as providências cabíveis em relação ao suposto autor da violência.

“Crianças e adolescentes que vivenciam situações de violência na escola frequentemente se veem diante de uma escolha cruel: permanecer em um espaço associado ao trauma e ao constrangimento ou abandonar os estudos”, afirmou Socorro Neri.
“A transferência automática e não fundamentada pode configurar, em si, uma forma de violência institucional”, advertiu a relatora.

Comparação com o projeto original

A versão aprovada altera a proposta do deputado licenciado Romero Rodrigues (PB), que sugeria apenas acrescentar um parágrafo à Lei da Escuta Protegida e tratava como equivalentes as opções de mudança de turma, turno ou escola. O substitutivo, por sua vez, detalha procedimentos e define a prioridade de permanência do aluno na instituição de origem.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado nessa etapa, poderá seguir diretamente ao Senado Federal, sem passar pelo Plenário da Câmara. Para virar lei, precisa do aval da Câmara e do Senado.

Impacto para o RN e para as redes de ensino

Se a mudança virar lei, as medidas valerão para redes públicas e privadas de todo o País, alcançando escolas do Rio Grande do Norte e de Natal. Secretarias e unidades de ensino deverão se organizar para garantir matrícula imediata em transferências, acompanhamento pedagógico individualizado e sigilo das informações do estudante vítima de violência.

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