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STJ investiga vazamento e exonera chefe de TI suspeito de repassar minutas

Relatório da PF indica trocas de mensagens entre servidor do STJ e o advogado Willer Tomaz; Tribunal diz que medidas criminais correm sob sigilo

Por Redação Os Três Poderes ·

STJ investiga vazamento e exonera chefe de TI suspeito de repassar minutas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu procedimento interno e exonerou, nesta sexta-feira (16), o servidor Humberto Fontoura Pradera, então secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação, suspeito de repassar minutas de decisões ao advogado Willer Tomaz, de acordo com nota do Tribunal e relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

O que diz o STJ

Segundo o STJ, o presidente da Corte, ministro Luis Felipe Salomão, já havia determinado a abertura de apuração na semana anterior e, por se tratar de cargo em comissão, o servidor foi exonerado.

"As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar", informou o STJ.

O que consta no relatório da PF

De acordo com a PF, mensagens indicam que Pradera repassou a Willer Tomaz informações sobre demandas internas do Tribunal e chegou a enviar a foto de um documento exibido na tela de um computador. Em outra conversa registrada, ao ser questionado por Tomaz sobre “qual o número deles?”, Pradera respondeu: “essa tá no REsp 2122969” e comentou efeitos de julgamentos.

O relatório também descreve diálogos entre o advogado e o então subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, que se aposentou em março de 2026. A PF relata ter comparado pareceres com sugestões do advogado e identificado trechos idênticos ou de redação semelhante; em mais de uma ocasião, o posicionamento do membro do MPF teria seguido as recomendações de Tomaz. Como exemplo, os investigadores citam um agravo em recurso especial no qual parte de mensagem do advogado aparece reproduzida de forma literal ou quase literal em parecer, com referências a desconto de quase 90%, ao valor do FII Eldorado, à exclusão de créditos classificados como ruins, a laudos sigilosos e à atuação do administrador judicial.

Outras frentes e desdobramentos

A PF investiga Willer Tomaz na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS, e em outra linha sobre suposta lavagem de dinheiro por meio de apostas. Em 18 meses (janeiro de 2025 a julho de 2026), ele teria apostado R$ 6,6 bilhões e acumulado prejuízo de R$ 188,5 milhões; os dados constam de ação proposta por sua defesa contra a casa de apostas Blaze. Ainda nesta sexta (16), a Justiça de São Paulo negou pedido do advogado para reaver R$ 163 milhões perdidos em apostas; o caso tramita na 44ª Vara Cível.

O relatório da PF também aponta que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária de empresa do advogado. Para os investigadores, esse cadastro conferia acesso operacional relevante e sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa.

O que diz a defesa

"O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em manifestações."

Ele afirmou desconhecer o relatório mencionado, disse estranhar a divulgação seletiva de material sigiloso em período eleitoral e informou que adotará medidas para obter acesso ao documento, contestar as alegações e identificar a origem do vazamento.

Contexto

O STJ é o tribunal responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal e julgar recursos especiais. Minutas são versões preliminares de decisões e despachos; o acesso é restrito e seu compartilhamento indevido pode impactar a isonomia entre partes em processos.

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