STF abre inquérito sobre suspeita de lavagem envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Relatoria ficou com Alexandre de Moraes; caso chegou ao STF após remessa da 1ª instância no RS, com indícios levantados pela PF e aval da PGR
Por Redação Os Três Poderes ·

O Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para apurar suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. Segundo o STF, o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator. O caso chegou à Corte após remessa da Justiça Federal no Rio Grande do Sul em razão do foro especial do parlamentar, com manifestação da Procuradoria-Geral da República pela abertura da investigação.
Indícios citados pela Polícia Federal
De acordo com relatório da Polícia Federal no RS, a quebra de sigilo telemático de Willer Tomaz apontou e-mails e documentos que indicariam vínculos operacionais entre o advogado e o senador. Entre os elementos citados está o cadastro de Flávio Bolsonaro como “usuário master” em conta bancária de empresa ligada a Tomaz (Alcazar), além de e-mail de 22/05/2025 solicitando a exclusão desse acesso.
A PF também registrou sinais de proximidade entre ambos, como referências a eventos e documentos pessoais do senador encontrados em nuvem associada a Tomaz, e viagens do parlamentar custeadas por uma das empresas do advogado, a Cathedral.
Apostas e empresas investigadas
O relatório policial menciona elementos indicativos de controle de fato de Tomaz sobre a Rede Loto, primeira autorizada pela Loterj a explorar apostas esportivas de quota fixa no Rio de Janeiro. A PF afirma ainda haver indícios de que a empresa RioPag seria, na prática, vinculada ao advogado, embora ele não conste formalmente do quadro societário.
Também são analisadas movimentações relacionadas à Blaze, por meio da Foggo Entertainment Ltda, com indicação de transferências relevantes e conexões com empresas associadas a Tomaz, segundo a PF.
Contexto e próximos passos
Este é o segundo inquérito em tramitação no STF em que Flávio Bolsonaro figura como investigado. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, foi aberto em julho e apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Com a nova investigação, o relator poderá determinar diligências à PF e à PGR, conforme os ritos do Supremo. A abertura do inquérito não implica juízo de culpa e os investigados seguem amparados pela presunção de inocência.
O que dizem as defesas
Em nota, Willer Tomaz negou ter cometido crimes, criticou a divulgação de informações em período eleitoral e afirmou que a Rede Loto não operou como plataforma de apostas. Disse ainda que a Cathedral é apenas uma holding patrimonial e negou movimentação financeira irregular, classificando a apuração como uma “pescaria probatória”.
A defesa de Flávio Bolsonaro declarou que a relação entre ele e Willer Tomaz é apenas de amizade entre as famílias. Negou que o senador tenha mantido acesso como “usuário master” a conta vinculada a empresas do advogado e afirmou que as insinuações são falsas e motivadas pelo contexto eleitoral.
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