PGR defende no STF manter sigilo sobre registros de visitantes do Senado
Parecer aponta falta de legitimidade do autor e que negativa foi ato administrativo do Senado; relator é o ministro Luiz Fux
Por Redação Os Três Poderes ·

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta quinta-feira (22) que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeite pedido de um vereador de Curitiba (PR) para ter acesso a registros de entrada e saída no Senado Federal de diversas pessoas, entre elas a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Também foram citados José Ferreira da Silva (Frei Chico), Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS). O caso está com o relator, ministro Luiz Fux.
O que diz a PGR
Na manifestação enviada ao STF, a PGR sustenta que o pedido deve ser rejeitado por questões processuais. Segundo o órgão, a negativa aos dados foi ato do Serviço de Informação ao Cidadão e Proteção de Dados Pessoais do Senado, e não decisão de autoridade com foro no Supremo. A Procuradoria afirmou ainda que o autor da ação não demonstrou violação a direito individual, requisito do instrumento utilizado, tendo fundamentado a demanda em interesse coletivo, fiscalização e transparência.
Posição do Senado
Nos autos, a defesa do Senado endossou o veto aos registros, fazendo paralelo com o sigilo da fonte jornalística para proteger a função parlamentar. De acordo com a peça, a divulgação dos visitantes poderia revelar fontes, interlocutores e permitir a reconstrução de agendas e fluxos de informação, o que colide com a proteção prevista no artigo 53, parágrafo 6º, da Constituição.
"Há diferença substancial entre tornar transparente a atuação institucional do Senado Federal e utilizar registros administrativos sob sua custódia para reconstruir, por iniciativa de um particular, os deslocamentos e possíveis interlocuções de outros indivíduos ao longo de vários anos", afirmou a advogada do Senado, Gabrielle Tatith Pereira.
Segundo a defesa, a Lei de Acesso à Informação (LAI) serve para fiscalizar atos do poder público, não para monitorar pessoas específicas por meio de registros administrativos.
Próximos passos
Com o parecer da PGR juntado ao processo, cabe ao relator, ministro Luiz Fux, decidir se autoriza o acesso solicitado ou se mantém a posição de preservar o sigilo defendida pelo Senado e pela PGR.
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