Defesa aponta falhas na cadeia de custódia de dados do celular de Vorcaro
Laudo contratado cita possibilidade de edição em relatório UFDR e pede acesso aos dados brutos
Por Redação Os Três Poderes ·

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou um laudo pericial, entregue em 26 de outubro, que aponta inconsistências nos dados do iPhone 17 Pro do ex-banqueiro fornecidos pelo Supremo Tribunal Federal e questiona a documentação da cadeia de custódia, segundo o documento.
Principais apontamentos do laudo
De acordo com o perito Marcos Monteiro, o arquivo disponibilizado com extensão UFDR é um relatório derivado do processamento da extração e pode refletir critérios de seleção de quem o gerou. O laudo também afirma que a defesa não recebeu os arquivos brutos resultantes da extração forense, o que, na avaliação do perito, impede a verificação independente da integridade e da integralidade do material. O documento sustenta ainda que o formato UFDR pode ser alterado e reprocessado sem sinais evidentes de adulteração em análise superficial. A peça faz referência à Súmula 14 do STF ao argumentar pela necessidade de acesso aos brutos.
Datas posteriores à apreensão
O laudo relata terem sido identificados registros de criação e modificação de arquivos após a apreensão do aparelho e após a prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. Segundo o perito, 657 arquivos constam como modificados em 18 de novembro de 2025 e 999 entre 18 de novembro de 2025 e 14 de maio de 2026. Entre 2.151.257 arquivos de imagem, 436 apresentam data de modificação posterior à apreensão. O perito também menciona 94 imagens no formato HEIC com registro de criação posterior à apreensão. O documento ressalta que não é possível atribuir as alterações, de forma técnica, a ação humana deliberada nem classificá‑las como automáticas sem elementos que sustentem essa hipótese.
Lacunas no termo de apreensão
O relatório aponta falhas formais no termo de apreensão, como ausência de informações de identificação dos dispositivos (marca, número de série, IMEI) e a falta de registro sobre o estado dos aparelhos e dos lacres. Também registra que a imagem usada para identificar o iPad e o iPhone aparenta ser a mesma, o que, segundo o documento, compromete a individualização dos itens. A Polícia Federal, conforme citado no laudo, informou que não conseguiu extrair dados do iPad e de um segundo celular.
O que pede a defesa
O laudo não comprova adulteração do material, mas afirma que os arquivos fornecidos não permitem confirmar a legitimidade dos dados nem esclarecer a origem das alterações temporais observadas. Por isso, solicita acesso à cópia integral dos dados originalmente extraídos, aos registros e logs da ferramenta GrayKey utilizada pela PF, a informações sobre o método de desbloqueio e à documentação completa da cadeia de custódia, para possibilitar reprodução independente da análise.
Contexto
O movimento integra a estratégia já anunciada pela defesa de Vorcaro, que contestou o indiciamento e pediu o arquivamento do inquérito. Segundo a PF, mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes teriam sido trocadas por meio de capturas de tela do bloco de notas.
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