Governo libera fundações a importar para universidades com imunidade tributária
Anúncio de Fazenda, MCTI e AGU permite compras por fundações de apoio sem certos tributos, com regras de controle e prestação de contas
Por Redação Os Três Poderes ·

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (21.out.2026), a quatro dias do 2º turno, que fundações de apoio poderão realizar importações em nome de universidades e instituições públicas de pesquisa com aplicação da imunidade tributária prevista na Constituição. O anúncio foi feito pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.
Como fica a importação
Segundo o governo, a mudança remove restrições que dificultavam o uso da imunidade quando a compra era feita pelas fundações de apoio. A autorização vale para equipamentos e insumos destinados a projetos de pesquisa, desde que cumpridas exigências legais. As operações devem ser feitas em nome das instituições públicas, com recursos movimentados em contas exclusivas, incorporação dos bens ao patrimônio das universidades e prestação de contas sujeita à fiscalização.
Jorge Messias afirmou que pretende submeter o parecer jurídico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para torná-lo vinculante na administração federal.
O que disseram os ministros
A ministra Luciana Santos declarou que a medida atende a uma demanda histórica da comunidade científica e reduz a dependência da cota de importações com isenção administrada pelo CNPq. Para ela,
“A ciência não pode esperar”. A ministra também disse que, ao longo de quatro anos, o governo destinou R$ 55 bilhões ao FNDCT.
Dario Durigan afirmou que a simplificação tributária deve ajudar a transformar a produção científica em inovação e ganhos de produtividade. Em suas palavras,
“Nós precisamos transformar o nosso conhecimento em desenvolvimento concreto, em inovação para as pessoas, em conexão com o setor produtivo”.
Impacto fiscal e participação de entidades
O Ministério da Fazenda não apresentou estimativa do efeito da medida sobre a arrecadação nem informou o volume de importações potencialmente beneficiado. O governo ressaltou que a iniciativa reconhece uma imunidade já prevista na Constituição, e não cria uma nova isenção. O conjunto de decisões contou com participação da Andifes e consulta formal da UFRJ.
Contexto
Em 2026, o Executivo anunciou diferentes ações de caráter fiscal e creditício. De acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), essas medidas têm naturezas distintas — como despesas primárias, renúncias de receita e operações de crédito — e não devem ser somadas de forma direta. O eventual efeito fiscal da mudança para a pesquisa científica ainda não foi quantificado.
O que muda para o RN
Para universidades e institutos federais no Rio Grande do Norte, a possibilidade de importar por meio de fundações de apoio, com imunidade tributária e regras de controle, pode facilitar a aquisição de equipamentos e insumos para laboratórios e projetos acadêmicos. A adoção prática dependerá do cumprimento dos requisitos legais e da capacidade administrativa das fundações envolvidas.
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