Perdão de dívidas de MEIs é sancionado; ministro vê ganho fiscal
Lei Complementar 238 perdoa débitos na dívida ativa até 13 de outubro de 2026 e integra o Prospera MEI
Por Redação Os Três Poderes ·

O governo federal sancionou a Lei Complementar nº 238, que institui o perdão automático de dívidas tributárias de microempreendedores individuais (MEIs) inscritas na dívida ativa até 13 de outubro de 2026. Ao comentar a medida nesta quinta-feira (29), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, afirmou que a regularização pode recolocar empreendedores na formalidade e aumentar a arrecadação em até R$ 4 bilhões.
O que muda com a lei
Segundo o governo federal, o perdão pode alcançar cerca de 3,6 milhões de MEIs com débitos que somam mais de R$ 12 bilhões, dos quais quase 86% são considerados de difícil ou impossível recuperação. A lei faz parte do Prospera MEI e traz outras medidas, como:
- Elevação do teto anual de faturamento para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028;
- Possibilidade de contratar até dois empregados nas atividades contempladas;
- Dispensa de emissão de nota fiscal nas operações com pessoas físicas, conforme decreto presidencial;
- Pix MEI: subvenção econômica direta de até R$ 5 mil para investimento na estruturação do negócio. O acesso dependerá da implementação do programa e de editais com regras operacionais que ainda serão publicados.
O ministro disse que o governo estuda criar um aplicativo para facilitar o acesso ao Pix MEI e reduzir a burocracia.
Renegociação de dívidas e Desenrola 3.0
O pacote também prevê uma frente de renegociação de débitos com instituições financeiras, associada ao Desenrola 3.0. De acordo com Paulo Pereira, o modelo anterior de parcelamento não foi suficiente para resolver o endividamento do setor, e a nova proposta é o governo comprar lotes dessas dívidas com descontos oferecidos pelos bancos. Ele citou que, ao adquirir em lotes, os pagamentos poderiam ficar na faixa de 5%, 7% ou 10% do valor devido.
“O MEI não vai precisar fazer nada”, afirmou o ministro, ao explicar que a adesão ocorreria automaticamente a partir da operação com as instituições financeiras.
Números e contexto
Pereira destacou que parte dos MEIs se endividou desde a pandemia e, ao perder o pagamento regular das contribuições, também perde benefícios fiscais, o que dificulta a quitação das pendências acrescidas de juros. Para o governo, a volta à formalidade pode ampliar a base de contribuintes e gerar ganho fiscal.
O que pode mudar no RN
No Rio Grande do Norte, a regularização tende a facilitar o retorno de trabalhadores por conta própria e pequenos negócios à formalidade, com acesso a benefícios e a compras públicas, a depender da regulamentação. A efetivação do Pix MEI e das novas regras exigirá a publicação de editais e normas operacionais, que deverão ser acompanhadas por órgãos estaduais e municipais para orientar os empreendedores locais.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Economia Governo alerta que cadastro do Pix MEI ainda não foi aberto
Ministro Paulo Pereira pede cautela com golpes e diz que implementação ficará para o ano que vem; regras serão detalhadas até o fim do ano
Tesouro Direto soma R$ 8,77 bilhões em aplicações em setembro
Emissão líquida foi de R$ 4,83 bi; papéis atrelados à Selic concentraram 57,5% das compras
Economia Com juro neutro maior, IFI projeta DBGG em 124,4% do PIB em 2036
Órgão do Senado eleva juro real neutro para 6,1% e estima despesa com juros acima de 10% do PIB em 2036
