Juros longos sobem a 15,04% e Bolsa recua 2,71% em dia de cautela
Incertezas sobre política fiscal e definição da equipe econômica elevam prêmios; mercado vê chance maior de Selic estável na próxima semana
Por Redação Os Três Poderes ·

O mercado financeiro brasileiro teve uma sessão de aversão ao risco nesta quarta-feira (28.out.2026), com desvalorização das ações e avanço dos juros de longo prazo. O Ibovespa caiu 2,71%, aos 170.946,55 pontos, no 3º pregão consecutivo de perdas, e registrou o menor fechamento desde agosto.
De acordo com participantes, a prudência dos investidores está ligada à indefinição sobre os rumos da política econômica no próximo mandato e à composição da equipe, especialmente o nome para a Fazenda. Nos bastidores, Rafael Fonteles (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) aparecem como possíveis opções. O recuo das ações de grandes bancos, com grande peso no índice, também contribuiu para a queda.
Renda fixa e política monetária
Na curva de juros, a taxa dos papéis de 10 anos subiu 13 pontos-base, alcançando 15,04%. A NTN-B mais longa avançou 5 pontos-base e passou a pagar IPCA + 7,41%. Movimentos de alta nas taxas refletem a exigência de prêmios maiores para assumir risco no horizonte mais estendido.
No tema de política monetária, as negociações com opções indicam algo em torno de 70% de chance de o Copom manter a Selic na reunião da próxima semana e perto de 25% de probabilidade de elevação em dezembro, sugerindo juros elevados por período prolongado.
No exterior, o Federal Reserve decidiu manter a taxa básica dos Estados Unidos no intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano, em linha com o que era esperado pelos agentes.
Câmbio e efeitos práticos
Na direção oposta da Bolsa, o dólar comercial recuou 0,19%, para R$ 5,3402, com apreciação do real.
Para quem investe, a alta das taxas de mercado derruba o preço dos títulos já emitidos — como a NTN-B, atrelada ao IPCA com parcela prefixada — e encarece o custo de captação e do crédito na economia.
O que pode mudar para o RN
Juros longos em patamar mais alto tendem a restringir o crédito a empresas e famílias, afetando consumo e investimento. Para estados e municípios, o ambiente de taxas elevadas pode tornar mais caros os financiamentos e a rolagem de dívidas, com impacto no planejamento de obras e serviços em capitais como Natal.
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