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Recorde de eleitores com deficiência em 2026 expõe obstáculos no dia da votação

TSE contabiliza 1,97 milhão de pessoas com deficiência aptas a votar; cresce a oferta de seções acessíveis e há teste de transporte, mas dificuldades permanecem

Por Redação Os Três Poderes ·

eleitor em cadeira de rodas
eleitor em cadeira de rodas

Em 2026, o país alcançou o maior contingente de eleitores com deficiência aptos a votar: 1.970.165, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O total representa alta de 42% frente a 2022. A Justiça Eleitoral ampliou estruturas acessíveis e testou oferta de transporte gratuito, mas ainda há pontos críticos no dia da votação, segundo avaliações.

Avanços na infraestrutura e no atendimento

De acordo com a Justiça Eleitoral, as seções principais consideradas acessíveis passaram de 156.296 em 2022 para 220.577 em 2026. O Brasil tem mais de 517 mil seções ao todo. Com isso, a participação das seções com acessibilidade avançou de 31,6% para 42,6%.

Além de intervenções físicas, o TSE informou ajustes nas urnas eletrônicas e colocou em operação, no 1º turno, o programa Seu Voto Importa. A iniciativa ofertou transporte gratuito para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que não tinham como chegar ao local de votação por conta própria. No balanço do dia, mais de 2.000 eleitores foram atendidos.

O tribunal também destaca que as condições de acessibilidade dos prédios usados como locais de votação podem se alterar ao longo do tempo, o que demanda vistorias e atualização contínua do cadastro de informações.

Relatos e barreiras ainda presentes

Para o advogado Joelson Dias, ex-ministro-substituto do TSE e ex-presidente da Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB, os desafios não se limitam à cabine de votação ou ao interior da seção. Eles incluem o percurso até o local, bem como a oferta de informação e canais de comunicação ao longo do processo eleitoral.

“O que nós queremos mesmo são todas as sessões com acessibilidade. Depois, ter certeza de que as barreiras serão removidas de todo o processo eleitoral, antes, durante e depois da campanha. Que também sejam removidas essas barreiras não somente na urna eletrônica, no local de votação, mas no entorno, desde que a pessoa saia da sua casa para votar até a sua efetiva manifestação”

Ele acrescenta que há entraves na comunicação digital e destaca as chamadas “barreiras atitudinais” — como preconceito, impaciência e falta de preparo de parte dos mesários no atendimento ao eleitor.

“Após o 1º turno, o que mais eu ouvi de reclamação de algumas pessoas com deficiência foi [sobre] a capacitação e o treinamento dos mesários. Será necessário ver de que maneira isso pode melhorar”

Os relatos de eleitores evidenciam o efeito desses obstáculos. A estudante de Jornalismo e cadeirante Alessandra Pereira dos Santos afirmou que a distância e a dificuldade de transporte, já presentes no cotidiano, costumam se intensificar no dia do pleito. Ela avaliou de forma positiva o transporte gratuito.

“A maioria das pessoas com deficiência mora longe do seu local de votação, e o deslocamento já é difícil em dias normais. Com a sociedade toda se deslocando ao mesmo tempo para ir às urnas, fica mais complicado. Então, esse acesso fácil traz uma tranquilidade, é menos estressante, porque o programa busca justamente romper as barreiras físicas”

No caso de pessoas com deficiência visual, a adoção do leitor de tela na urna foi citada como um avanço. A professora de música Carolina Dias Lima Souza relatou maior facilidade nos comandos e mais segurança ao confirmar o voto, graças à identificação do nome do candidato.

“Para mim, a experiência foi muito boa, porque os comandos estão mais acessíveis. Eu consigo controlar a velocidade e também o volume da voz, e foi o melhor para mim”

Contexto e próximos passos

Desde 2010, quando o TSE passou a coletar o indicador, a fatia de eleitores com deficiência no cadastro cresceu de 0,1% para 1,24%. Segundo Joelson Dias, é fundamental que os registros feitos pelos mesários a pedido dos eleitores e os relatos reunidos por entidades representativas sejam encaminhados à Justiça Eleitoral, para orientar correções já em 2026 e em pleitos futuros.

“Nada para as pessoas com deficiência sem as próprias pessoas com deficiência”

Ele lembra que acessibilidade também diz respeito ao direito de disputar eleições. O número de candidaturas de pessoas com deficiência mudou pouco: foi de 476 em 2022 para 499 em 2026, conforme o levantamento citado.

O que muda para o RN

As ações da Justiça Eleitoral são nacionais e alcançam o Rio Grande do Norte. No 1º turno, recursos de acessibilidade e o programa de transporte foram implementados em todo o país. Quem enfrentar problemas pode solicitar ao mesário o registro da ocorrência e comunicar o cartório eleitoral. Esses relatos ajudam a embasar melhorias também no TRE-RN.

As informações são do portal Poder360. A reportagem completa está disponível neste link.

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