Meta atribui problemas a falhas técnicas e nega interferência eleitoral
Empresa relata incidentes em anúncios, Reels e IA; TSE proibiu interferência na distribuição de conteúdo até o fim do segundo turno
Por Redação Os Três Poderes ·

A Meta afirmou nesta sexta-feira (16) que não tomou partido na eleição brasileira e atribuiu a erros operacionais e incidentes técnicos recentes as queixas envolvendo anúncios, contagem de visualizações e o assistente de inteligência artificial.
O que diz a empresa
Segundo a companhia, a conta de anúncios da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva foi desativada por engano em 23 de setembro, por pouco mais de uma hora, após um anúncio ter sido classificado incorretamente durante uma análise antifraude. A empresa afirmou que a página oficial no Facebook e o perfil no Instagram da campanha não foram bloqueados.
A Meta acrescentou que o episódio decorre do ambiente regulatório brasileiro, que, na avaliação da empresa, tem regras rígidas desde 2025 e amplia a responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios de terceiros, elevando o risco de aplicação excessiva de medidas.
Incidentes em Reels e no Gerenciador de Anúncios
Em 7 de outubro, um incidente técnico afetou os sistemas que contabilizam visualizações e reprises de Reels por cerca de cinco horas. As contagens ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora a distribuição do conteúdo tenha continuado, de acordo com a empresa. A Meta disse que o problema atingiu criadores em mais de 100 países e que a campanha de Flávio Bolsonaro também relatou a falha naquele dia.
Em 9 de outubro, a empresa identificou uma falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações do Instagram.
Meta AI e proteções eleitorais
A Meta informou que, em 14 de outubro, uma lacuna específica em suas proteções fez com que o assistente de inteligência artificial tivesse respostas divergentes para pedidos relacionados a candidatos. Para cumprir regras eleitorais, a empresa disse ter proibido temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil.
De acordo com a companhia, os sistemas bloqueavam comandos que mencionavam explicitamente nomes como “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro”, mas nem sempre identificavam quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral.
Decisão do TSE
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta se abstenha de interferir na distribuição de conteúdo político-eleitoral relativo aos candidatos até o fim do segundo turno, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A medida foi tomada em ação apresentada pela campanha de Lula, que apontou falhas recorrentes na entrega de postagens.
A Meta afirmou que todos os episódios citados têm explicações documentadas, que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política e que não houve direcionamento político nem tentativa de influenciar a eleição.
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