Três frentes externas que vão testar o próximo presidente do Brasil
Relação com os EUA, equilíbrio na disputa EUA-China e coordenação sul-americana são apontadas como prioridades imediatas
Por Redação Os Três Poderes ·

O próximo presidente do Brasil terá, já no início do mandato, de tomar decisões sobre três eixos da política externa: recompor a relação com os Estados Unidos, equilibrar a competição entre Washington e Pequim e buscar coordenação política e econômica na América do Sul, segundo avaliações de especialistas como Otaviano Canuto, Vinícius Mariano de Carvalho e Feliciano de Sá Guimarães.
Um cenário mais difícil
Para Otaviano Canuto, economista que já ocupou cargos de direção em organismos multilaterais, o ambiente internacional será mais desafiador nos próximos meses por mudanças políticas em grandes economias e pela disputa por recursos estratégicos.
“A conjuntura global que o próximo presidente do Brasil vai encontrar, daqui alguns meses, será muito mais complexa do que a de hoje”, disse Canuto.
Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King's College London, descreve o padrão atual como menos previsível e mais sujeito a mudanças rápidas de alinhamento, ideia que ele resume como “surrealpolitik”.
Três desafios imediatos
- Reconstruir ou redesenhar a relação com os Estados Unidos, tema sensível para comércio, tecnologia e segurança;
- Definir uma postura equilibrada na competição entre Washington e Pequim, evitando ser “capturado” por um dos lados, conforme alerta de Canuto;
- Reativar canais de coordenação política e econômica na América do Sul, hoje considerada fragmentada pelos analistas.
De acordo com os especialistas, afinidades ideológicas não são suficientes para eliminar tensões práticas nessas agendas.
O que muda conforme o vencedor
Na leitura dos analistas, uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva tende a ampliar atritos com Washington em temas como tarifas, investimentos e acesso a minerais estratégicos. Já um governo de Flávio Bolsonaro poderia começar com maior proximidade com os EUA, mas sob expectativas de alinhamento funcional e com pressões sobre a relação do Brasil com a China.
Minérios críticos no centro do debate
Canuto destaca que a decisão sobre como negociar minerais críticos e terras raras — como simples commodities ou buscando maior valor agregado — será central. Feliciano de Sá Guimarães, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, pondera que posições de autoridades-chave na administração americana também podem influenciar o diálogo bilateral, independentemente de quem ocupar o Planalto.
Impactos para o Brasil
As escolhas em política externa tendem a repercutir em comércio exterior, fluxos de investimento e cadeias de energia e tecnologia, áreas nas quais ajustes de tarifas, regras de investimento e exigências tecnológicas podem afetar custos e oportunidades para a economia brasileira.
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