Congresso promulga PEC que fixa jornada de 40h e assegura duas folgas
Aplicação ocorrerá em duas fases, sem corte de salário; preferência de descanso aos domingos, conforme a escala
Por Redação Os Três Poderes ·

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que extingue a escala 6x1, estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e assegura dois dias de folga remunerada, sem diminuição de salário.
Como a proposta foi construída
Segundo a tramitação no Legislativo, o texto aprovado tem origem em proposta apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Em 2025, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) e o vereador Rick Azevedo (Psol-RJ) apresentaram outra iniciativa. Como a proposta de 2019 já avançava na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a PEC de 2025 foi incorporada e resultou no texto final aprovado pelo Congresso.
Parlamentares que defendem o tema há décadas participaram do processo. O senador Paulo Paim (PT-RS), que desde a Constituinte defende a redução da jornada, apoiou o texto da Câmara e compareceu à cerimônia de promulgação, que também contou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paim foi homenageado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Como será a transição
A emenda altera o artigo 7º da Constituição, que dispõe sobre os direitos dos trabalhadores, e prevê uma implementação em etapas:
- Decorridos dois meses da promulgação: o teto semanal diminui de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso remunerado;
- Doze meses após essa primeira redução: o limite passa a ser de 40 horas por semana, sem cortes salariais.
Um dos dias de folga deve ocorrer, preferencialmente, aos domingos, embora a organização possa variar conforme a escala. A redução não extingue horas extras nem instrumentos como o banco de horas. A mudança também pode repercutir em regimes que atualmente compensam as horas de sábado nas jornadas de segunda a sexta.
Contexto
A discussão sobre a carga horária é antiga no Congresso. Em 1988, a Constituição reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais. Em 2015, Paim apresentou PEC prevendo 36 horas, que só avançou anos depois, quando a Câmara retomou o debate e incorporou novas propostas.
"Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer", declarou o senador em sessão de discussão.
O que muda para o RN
Por se tratar de alteração constitucional, a norma tem alcance nacional e abrange os trabalhadores do Rio Grande do Norte. Empresas e empregados no estado precisam observar o cronograma de transição e ajustar as escalas à nova regra.
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