Lula retoma viagens ao exterior e pode se encontrar com Trump no G20
Governo prevê quatro cúpulas até dezembro; agenda inclui COP31 na Turquia, Asean nas Filipinas e Mercosul em Montevidéu
Por Redação Os Três Poderes ·

O governo federal prevê que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe de quatro cúpulas internacionais entre novembro e dezembro, na primeira agenda externa após a reeleição. O roteiro termina no G20, marcado para 14 e 15 de dezembro, em Doral (EUA), onde, segundo a avaliação do Planalto, Lula pode se encontrar com o presidente norte-americano, Donald Trump.
Agenda internacional
De acordo com o governo, a primeira parada será a COP31, em Antália, na Turquia, em 11 e 12 de novembro, conferência na qual o Brasil passará a presidir o evento climático. Em seguida, está prevista ida às Filipinas, com visita de Estado a Manila e participação na cúpula da Asean, em 14 e 15 de novembro, quando são esperadas reuniões bilaterais com líderes da região.
Depois, o presidente deve ir à cúpula do Mercosul, em Montevidéu, em 4 de dezembro. O calendário se encerra com o G20, na Flórida.
Relação com os EUA e expectativas para o G20
Segundo o governo, até o momento nenhum integrante do governo norte-americano telefonou para cumprimentar Lula pela vitória. A avaliação no Planalto é que o Brasil não deve ter protagonismo no G20, encontro que pode registrar divergências entre os Estados Unidos e países como Canadá, China e Índia. A expectativa é de que não haja necessidade de barrar textos finais do evento.
Ainda conforme a avaliação governamental, o tema ambiental ficou fora da pauta do G20 por pressão dos EUA. O governo também diz que os Estados Unidos deixaram o Acordo de Paris e não devem comparecer à COP31. O assunto é visto como um problema para o Brasil, mas não como um contencioso bilateral insuperável.
Avaliação política do Planalto
No Planalto, não há pedido de telefonema entre os presidentes. A orientação é observar como o G20 se desenha. Segundo o governo, Trump afirmou que não apoiou nenhum candidato no Brasil e que mantém boa relação com Lula. A leitura interna é que a vitória do petista representa revés para a estratégia do Departamento de Estado na região e para a atuação de aliados do governo anterior em Washington.
A mesma avaliação aponta disputa de linhas dentro do governo Trump: uma ala tenta sustentar narrativa de instabilidade no Brasil e outra reconhece a legitimidade de um presidente eleito com 64,2 milhões de votos e busca convergências. Para o Planalto, não há divergência insuperável com os EUA, mas o limite da relação é a China; o Brasil não abandonaria Brics, Índia, China nem Europa por pressão norte-americana.
Posse e próximos passos
O governo afirma que a eleição despertou interesse global e que mais convites internacionais devem chegar. A posse, prevista para 5 de janeiro, deve atrair delegações estrangeiras. O desenho da cerimônia e detalhes das viagens serão fechados na próxima semana, e o presidente estaria disponível para todos os deslocamentos.
O que pode mudar para o Brasil e o RN
Decisões em fóruns como G20, Mercosul e Asean costumam pautar comércio, investimentos e clima, com potenciais efeitos sobre a economia brasileira. Mudanças nessas agendas podem refletir também em estados exportadores como o Rio Grande do Norte.
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