Lula irá à COP31 na Turquia para transferir comando e defender agenda climática
Cúpula de líderes está prevista para 11 e 12 de novembro; Brasil apresentará roadmaps e relatório de financiamento
Por Redação Os Três Poderes ·

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá a Antália, na Turquia, em novembro, para participar da COP31 (Conferência da ONU sobre Mudança do Clima) e formalizar a transferência da presidência do encontro, hoje sob comando brasileiro desde a COP30, em Belém. A presença foi confirmada em nota à imprensa após telefonema com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
De acordo com a programação da conferência, a COP31 ocorre de 9 a 20 de novembro, e o segmento de líderes, que reúne chefes de Estado, está previsto para os dias 11 e 12. Em arranjo inédito, a Turquia sediará o evento enquanto a Austrália conduzirá as negociações.
Entregas da presidência brasileira
A gestão brasileira pretende defender os resultados alcançados na COP30. Segundo a presidência da conferência, foram aprovadas 56 decisões por consenso, incluindo o pacote chamado Mutirão. Diante da falta de consenso entre países sobre a transição energética, a presidência decidiu manter o debate por meio de iniciativas voluntárias e apresentará dois mapas do caminho: um sobre combustíveis fósseis e outro sobre florestas.
O roadmap de combustíveis fósseis terá sete capítulos e recebeu contribuições de 115 países e 247 atores não estatais, apresentadas em Bonn, em junho, conforme a presidência. O roadmap de florestas estabelece como meta parar e reverter o desmatamento até 2030.
Também está prevista a atualização do roteiro de financiamento “de Baku a Belém”, que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035. A atualização será apresentada na COP31.
Entre as iniciativas lançadas, o Brasil apresentou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que soma cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos e precisa atingir US$ 10 bilhões até 31 de dezembro para ser ativado. Segundo a presidência, a Noruega é a maior doadora até agora, com US$ 3 bilhões condicionados ao cumprimento da meta financeira.
Continuidade após a troca de comando
A presidência da COP30 é liderada politicamente pelo embaixador André Corrêa do Lago, enquanto Ana Toni coordena a implementação das ações. A estrutura criada inclui o Acelerador Global de Implementação (GIA), voltado a apoiar a execução das metas nacionais (NDCs) e dos planos de adaptação, com rede de parceiros, grupo independente de especialistas e comitê de direção.
O desafio apontado pela presidência é assegurar a continuidade das iniciativas após a transferência de comando. A manutenção depende do engajamento de governos, empresas, instituições financeiras e sociedade civil, além das prioridades das próximas presidências. As recomendações técnicas e a participação de parceiros podem estimular a continuidade, mas não a garantem.
Agenda internacional
Até o fim do ano, a agenda externa de Lula inclui a cúpula da Asean, em novembro, nas Filipinas, para a qual o governo brasileiro avalia a participação do presidente na abertura; a cúpula de chefes de Estado do Mercosul, marcada para 4 de dezembro, em Montevidéu; e, em dezembro, está prevista viagem aos Estados Unidos para a cúpula do G20, programada para 14 e 15 de dezembro, em Miami.
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