Jornalismo · InstituiçõesOS TRÊS PODERES
Notícias de hoje

Publicidade

Eleições 2026: acompanhe ao vivo a apuração do 2º turno para presidente e governador do RN

Israel faz eleição decisiva três anos após ataque do Hamas

Três candidatos de perfil linha‑dura dominam a disputa e debate sobre assentamentos e papel do Judiciário pode decidir quem formará coalizão

Por Redação Os Três Poderes ·

Foto: Knesset
Knesset

Cerca de 7 milhões de eleitores israelenses vão às urnas nesta terça‑feira para escolher um novo Knesset e, possivelmente, um novo primeiro‑ministro, em votação realizada pela primeira vez desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Entre os principais nomes da disputa estão o atual premiê Benjamin Netanyahu e dois líderes de oposição apontados como linha‑dura em segurança, que rejeitam a criação de um Estado palestino e defendem o desarmamento do Hamas.

Quem são os candidatos e as diferenças

Além de Netanyahu, que lidera o partido Likud, a disputa tem como candidatos destacados o ex‑chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, do partido Yashar (Íntegro), e Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad). Eisenkot, que integrou o gabinete de guerra montado após o ataque, deixou o governo acusando a gestão de negligência no resgate de reféns e na prevenção do ataque — alegação negada por Netanyahu. Bennett já foi primeiro‑ministro entre 2021 e 2022.

A professora Karina Stange Calandrin, de relações internacionais, afirmou que "os três são de direita" e classificou os partidos como "falcões", termo usado para descrever forças que favorecem respostas duras em segurança em vez de negociações. O professor Michel Gherman, de sociologia, avaliou que, embora compartilhem a linha dura, Netanyahu se diferencia por defender uma reforma que reduziria a autonomia do Judiciário e concentraria mais poder no Executivo.

Assentamentos, palestinos e formação de governo

Os três favoritos rejeitam a criação de um Estado palestino, uma posição que perdeu apoio na sociedade israelense desde o ataque de outubro de 2023, segundo análise citada por especialistas. As diferenças entre eles aparecem sobretudo na política sobre assentamentos na Cisjordânia: enquanto aliados de Netanyahu têm incentivado a expansão dos colonatos, Eisenkot e Bennett têm posições distintas sobre o tema e podem adotar medidas que reduzam a pressão sobre a Área B, o que, na avaliação de Karina Calandrin, tenderia a diminuir episódios de violência nessa região.

O sistema parlamentar israelense exige que o partido ou bloco vencedor forme uma coalizão para governar, com maioria das 120 cadeiras do Knesset. Karina Calandrin estimou que tanto Yashar quanto Juntos provavelmente precisarão de apoio de legendas árabes para alcançar maioria — uma hipótese que ela considerou pouco provável, já que os candidatos disseram não pretender alianças com partidos árabes. Michel Gherman sugeriu que uma alternativa seria apoio tático dos partidos árabes para viabilizar uma coalizão de minoria contra Netanyahu.

Contexto regional e impacto

As eleições ocorrem em um contexto de intensas operações militares: após o ataque do Hamas, Israel lançou uma ofensiva em Gaza que, segundo registros e relatos mencionados na cobertura, provocou milhares de mortes e grande destruição da infraestrutura civil, e vem sendo apontada por alguns países e especialistas como um genocídio. O país também se envolveu em confrontos no Líbano, ataques na Síria e ações contra o Irã em parceria com os Estados Unidos, enquanto a política de assentamentos na Cisjordânia avançou nos últimos anos.

A eventual mudança de governo pode afetar as relações de Israel com países árabes e com mediadores como Catar e Egito: especialistas ouvidos apontam que adversários de Netanyahu poderiam mostrar maior abertura a negociações com atores regionais, ainda que não necessariamente com os palestinos neste momento. Isso tem implicações para a estabilidade regional e para a diplomacia que envolve atores internacionais interessados em contenção do conflito.

Como a votação é em cédula de papel, a apuração deve se estender até a noite seguinte à votação, e o cenário final dependerá da capacidade de os partidos formarem alianças no parlamento.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Aparece publicamente com o comentário.
Nunca é exibido.
0 de 1.500 caracteres

Leia também