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Governo relata 10 homicídios de eleitores de Lula após o resultado da eleição

Balanço oficial aponta 45 ocorrências de violência pós-eleitoral; PGR, PF e corregedorias são acionadas para coordenar apurações

Por Redação Os Três Poderes ·

Foto: Ministério da Justiça
Ministério da Justiça

O governo federal informou nesta quarta-feira (28.out) que, desde a proclamação do resultado do pleito de 2026 no domingo (25.out.2026), foram registrados 10 homicídios contra eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio foi feito em coletiva no Ministério da Justiça, em Brasília.

Segundo a gestão, os autores são apontados como apoiadores do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL). A maioria dos episódios ocorreu entre a noite de domingo e a segunda-feira (26.out). Entre as vítimas, três eram indígenas. O governo afirmou não haver relatos na direção oposta.

Balanço de ocorrências

Além dos homicídios, foram contabilizados: 7 atropelamentos com intenção deliberada; 14 agressões físicas, incluindo espancamentos e esfaqueamentos; 5 casos com disparos ou atentados envolvendo armas de fogo; 5 situações de violência e coação praticadas contra povos indígenas; e 6 ocorrências relacionadas a abuso de autoridade e violência policial. Os estados com mais registros foram, nesta ordem: Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.

De acordo com as autoridades, no total há 45 episódios de violência pós-eleitoral em monitoramento.

Como será a apuração

O governo detalhou três linhas de atuação: a Procuradoria-Geral da República (PGR) fará a coordenação das investigações; a Polícia Federal (PF) será acionada para identificar e, quando couber, prender os autores; e as corregedorias das polícias e os Ministérios Públicos estaduais serão cobrados a apurar e responsabilizar eventuais agentes envolvidos.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que todos os relatos recebidos dizem respeito a violência contra apoiadores de Lula e avaliou que a maioria decorreu de reação ao resultado das urnas.

“Isso não cabe na democracia, isso é próprio de barbárie”
“não ficarão impunes”

afirmou Boulos.

O secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, disse que a pulverização de responsabilidades entre instituições pode favorecer a impunidade e informou que todas as corregedorias foram notificadas.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, ponderou que “federalização” não é a expressão adequada. Ele explicou que a PF já tem atribuição legal para investigar crimes eleitorais, delitos contra o Estado Democrático de Direito e violência política de gênero e no ambiente digital. Os crimes comuns, como homicídio e lesão corporal, seguem sob competência das polícias e dos Ministérios Públicos estaduais; caberá ao governo articular e coordenar a atuação entre os órgãos. O encaminhamento de casos à cúpula do Ministério Público Federal foi descrito por Borges como um “fluxo de trabalho”.

Outros pontos citados

Borges afirmou haver indícios de um quadro mais amplo de violência, ameaças e intimidações motivadas pela não aceitação do resultado eleitoral. Segundo ele, já existem dezenas de inquéritos instaurados e, no caso de homicídios envolvendo indígenas, a competência é federal.

Sobre crimes no ambiente digital, as autoridades lembraram que, conforme decreto do Marco Civil da Internet atualizado em 2026, plataformas têm o dever de retirar conteúdos associados a crimes graves e podem ser responsabilizadas civilmente em caso de descumprimento.

A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, relatou que eleitoras também foram alvo da violência, com envio de episódios à PF com base na legislação que autoriza investigação nacional de violência política digital.

“Não queremos a repetição de um 8 de janeiro no Brasil”

disse Sheila de Carvalho.

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