Empresas comunicam nas redes suspensão de doações após segundo turno
Postagens relatam corte de cestas básicas, brinquedos, roupas e medicamentos após a eleição vencida por Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL)
Por Redação Os Três Poderes ·
Empresas e organizações de várias regiões do país publicaram nas redes sociais, nesta segunda-feira (26), comunicados informando a suspensão de doações e de ações sociais após o segundo turno presidencial de 2026, vencido por Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
O que foi anunciado
Os textos divulgados informam o encerramento, temporário ou definitivo, de iniciativas como a distribuição de cestas básicas, brinquedos, roupas e medicamentos. Em linguagem semelhante, parte dos comunicados agradece a antigos parceiros e lista ações realizadas ao longo dos anos.
Em uma das postagens, uma rede de sorveterias afirma que deixará de doar a pessoas que considera dependentes de auxílios governamentais.
"Estamos cansados de ajudar, quem não quer ser ajudado e preferem viver dos auxílios do governo!"
Também foram divulgadas mensagens de uma loja de equipamentos de medição de Sorocaba (SP), que anunciou o fim das contribuições e disse:
"Pedimos desculpas às ONG's e projetos sociais que apoiávamos", e de um grupo do Espírito Santo que afirma atuar há oito anos em defesa de pessoas do espectro autista, comunicando o corte de doações de medicamentos, brinquedos, materiais escolares, roupas e alimentos.
"Estou cansada de tentar ajudar pessoas que não querem ser ajudadas!"
Em Joinville (SC), uma empresa informou a suspensão de ações sociais com previsão de retomada apenas a partir de 2032.
Exemplos e motivações alegadas
Karina Borba Estrazulas, proprietária da confeitaria Doces da Ká, de Criciúma (SC), disse que decidiu encerrar as doações por preocupação com o cenário econômico e com as contas da empresa. Segundo ela, a confeitaria realiza ações sociais desde 2017, como a distribuição de ovos de Páscoa e a doação de cestas básicas a famílias atingidas por chuvas.
"Acredito que a solidariedade deve ser voluntária e respeitosa. Cada pessoa tem o direito de fazer suas escolhas, assim como cada empresa tem o direito de decidir quais causas apoiar, de acordo com seus valores e suas possibilidades."
Repercussão e análise
As publicações geraram reações distintas nos comentários: houve manifestações de apoio e críticas às decisões de suspensão.
Para a professora de Serviço Social Késia Araújo, é preciso diferenciar ações assistenciais e de caridade, de caráter pontual e voluntário, das políticas sociais garantidas pelo Estado, que são permanentes e voltadas à garantia de direitos. Ela afirmou que atrelar doações às escolhas políticas dos beneficiários reproduz relações históricas de dependência e poder.
"Na verdade, essa é uma versão moderna disso [...] hoje a gente não tem mais essa figura do coronel estritamente como era antigamente, mas isso se revela de uma nova forma"e
"Condicionar isso é, de fato, você querer perpetuar uma relação de subalternidade".
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