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WhatsApp ganha peso nas campanhas e desafia combate à desinformação

Especialistas apontam que relações de confiança em grupos privados impulsionam mensagens políticas e dificultam a checagem

Por Redação Os Três Poderes ·

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Especialistas e estudos apontam que o WhatsApp passou a exercer papel relevante na disputa eleitoral no Brasil, inclusive nas eleições mais recentes, ao inserir conteúdo político no cotidiano de grupos de família, trabalho e amigos. Segundo pesquisadores, a dinâmica de confiança entre quem envia e quem recebe a mensagem ajuda a explicar o alcance e a persuasão nesses ambientes.

Como a confiança molda o debate

Mensagens políticas que chegam de pessoas conhecidas são avaliadas de forma diferente das propagandas oficiais, segundo o especialista em comunicação digital e ciência política João Paulo Borges.

“Quando o comercial ou a propaganda oficial do candidato aparece, o eleitor liga na hora o alerta de desconfiança porque sabe que existe um interesse eleitoral ali. Mas quando essa mesma mensagem chega por um amigo, um parente ou um vizinho, o processo de avaliação muda totalmente. O eleitor não analisa apenas o texto ou o vídeo, ele leva em conta a confiança que já tem na pessoa que enviou”

Essa dinâmica contribui para a formação de bolhas informacionais. Para a cientista política Daniela Costanzo, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, os grupos fechados operam como parte da “microssegmentação” das redes, reforçando conteúdos que confirmam opiniões já existentes.

Bolhas, custo social do conflito e 2022

Um monitoramento do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou 115,9 mil mensagens em grupos públicos do WhatsApp no 1º turno de 2022 e 180,3 mil no Telegram. De acordo com João Paulo Borges, levantamento citado identificou divisão de grupos grandes em subgrupos menores para tratar de política com pessoas que pensam de forma semelhante, além de regras de convivência que desestimulam debates para evitar atritos pessoais.

Desinformação adaptada ao formato e o caso de 2026

Segundo os especialistas, a desinformação em aplicativos de mensagens vem se sofisticando, com distorções que combinam conteúdos verdadeiros e falsos. Durante as eleições de 2026, circularam boatos sobre candidatos, pesquisas, urnas e até sobre o calendário de votação; em um dos casos, um áudio afirmava datas distintas de votação para eleitores de candidatos diferentes. O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu a informação.

Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, o caráter fechado dos grupos dificulta a checagem e o desmentido:

“É bastante difícil desmentir essas informações porque os veículos oficiais começam a ser vistos com antipatia porque alguém deles está falando algo que aquele grupo não quer ouvir. E cada vez vai ficando mais difícil, porque as pessoas vão se fechando e bloqueando essas informações. E, por isso, não por coincidência, vemos esse movimento de redução da percepção de credibilidade, porque isso tem a ver com o olhar sobre o mensageiro. Ele começa a se tornar desconfortável e passa a ser evitado”

Ponto de inflexão em 2018 e reação da Justiça Eleitoral

Especialistas identificam 2018 como marco do uso político de aplicativos no país. Naquele ano, redes sociais e mensageiros tiveram peso relevante na campanha presidencial. Pesquisa do Instituto DataSenado mencionada no material indica que 45% dos entrevistados afirmaram ter decidido o voto com base em informações vistas em redes sociais; 79% disseram usar o WhatsApp para se informar.

O crescimento desse tipo de comunicação levou o TSE a ampliar a atenção sobre aplicativos de mensagens. Em 2022, o tribunal e o WhatsApp firmaram acordo para desenvolver ações de enfrentamento à desinformação durante o processo eleitoral.

O que fica para o eleitor

Pesquisadores destacam que, em ambientes privados, a confiança no remetente aumenta a propensão ao compartilhamento, sobretudo quando o conteúdo confirma convicções prévias. Isso tende a intensificar a polarização e a reduzir o espaço para o diálogo entre visões divergentes.

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