Projeto do PT criminaliza discriminação política no trabalho; pena chega a 6 anos
PL 5.689/2026 prevê reclusão e multa para demitir, boicotar ou exigir voto de empregados
Por Redação Os Três Poderes ·

O PT apresentou na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (29.out.2026), o PL 5.689/2026, que tipifica a discriminação política no trabalho. A proposta prevê reclusão de 2 a 5 anos e multa, chegando a 3 a 6 anos quando as condutas forem cometidas pela internet, em redes sociais, aplicativos de mensagens ou meios de comunicação.
Principais condutas tipificadas
Segundo o texto, será crime elaborar, organizar, divulgar ou compartilhar listas que identifiquem pessoas por voto, convicção política ou filiação partidária com a finalidade de estimular demissões, impedir contratações, restringir atividades profissionais ou promover boicotes a produtos e serviços. Também será punido demitir, rescindir contratos de prestação de serviços ou impedir acesso a empregos, cargos, funções, promoções e oportunidades por motivo de voto ou convicção política.
O projeto ainda criminaliza exigir que empregados, prestadores de serviços ou candidatos a vagas revelem em quem votaram ou comprovem opção eleitoral, bem como monitorar manifestações políticas para fins discriminatórios. O constrangimento por ameaça de inclusão em listas discriminatórias e a incitação pública às práticas descritas também estão previstos.
Penas e agravantes
As penas serão de 2 a 5 anos de reclusão e multa, ou de 3 a 6 anos e multa quando as condutas ocorrerem por internet, redes sociais, aplicativos ou meios de comunicação. Haverá aumento de um terço até a metade se o crime for cometido por três ou mais pessoas em atuação coordenada, envolver o uso de cargo público ou mandato eletivo, atingir cinco ou mais vítimas ou resultar em perda de emprego, renda, clientela ou oportunidade profissional.
Contexto e dados
Na justificativa, os autores relacionam a proposta a postagens em que empresários e políticos ligados ao PL defenderam a demissão de quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, em 25.out.2026. O Ministério Público do Trabalho registrou 1.937 denúncias de assédio eleitoral até a segunda-feira (26.out.2026) posterior ao segundo turno, segundo a própria instituição.
Tramitação e impacto no RN
O projeto começa a tramitar na Câmara, onde poderá ser analisado por comissões, debatido e votado antes de eventual envio ao Senado. Se aprovado pelo Congresso e sancionado, passará a integrar o Código Penal.
No Rio Grande do Norte e em Natal, a tipificação alcançaria relações de trabalho locais, abrangendo demissões, contratações e boicotes motivados por posicionamento político. Setores produtivos e entidades de trabalhadores devem acompanhar a tramitação para avaliar eventuais adequações em políticas internas.
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