Justiça italiana adia para 24 de novembro audiência sobre extradição de Carla Zambelli
Sessão em Roma foi reagendada a pedido da defesa; juízes cobram garantias médicas e informações sobre as condições prisionais no Brasil
Por Redação Os Três Poderes ·

A Corte de Apelação de Roma adiou nesta terça-feira (27) a audiência que reavaliaria o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli e remarcou o procedimento para 24 de novembro. O reagendamento atendeu a um pedido da defesa, que afirmou não ter tido acesso aos documentos encaminhados pelo governo brasileiro.
Conforme a Corte, a sessão — prevista para as 11h30 no horário local (7h30 em Brasília) — analisaria dúvidas dos magistrados sobre as condições carcerárias no Brasil e a necessidade de garantias de que Zambelli receberá assistência médica. A ex-deputada afirma ter fibromialgia e episódios de desmaio.
O governo brasileiro apresentou novas informações para responder aos questionamentos levantados pelo tribunal italiano. Após a manifestação da defesa, o adiamento foi aceito e a audiência remarcada para 24 de novembro.
Contexto
Em julho, a Justiça italiana anulou a decisão que havia autorizado a extradição e determinou que o pedido do Brasil voltasse à fase inicial. Na ocasião, o tribunal afastou a tese de perseguição política apresentada pela defesa e condicionou eventual extradição à apresentação de garantias sobre o tratamento médico no sistema prisional.
Em maio, em outro processo, a Corte Suprema de Cassação da Itália rejeitou a extradição relacionada a uma condenação a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Os magistrados afirmaram ter identificado “diversos elementos” capazes de gerar dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do Supremo Tribunal Federal, mencionando que Alexandre de Moraes acumulou diferentes funções no caso. Após essa decisão, Zambelli, que estava detida desde julho de 2025, foi solta.
Posições e próximos passos
A defesa, representada pelo advogado Eduardo Maurício, sustenta que enviar Zambelli ao Brasil colocaria a vida dela em risco.
“Seria o mesmo que entregá-la à morte”.
Com a sessão remarcada, o tribunal deverá avaliar as garantias solicitadas sobre assistência médica e as informações complementares apresentadas pelas autoridades brasileiras.
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