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Debate no plenário diverge sobre reeleição de Lula e viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Base governa‑ menta defende foco do presidente no mandato; oposição diz que senador foi convidado e é alvo de perseguição

Por Redação Os Três Poderes ·

Debate no plenário diverge sobre reeleição de Lula e viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados

Deputados do Congresso divergiram nesta quarta-feira sobre os desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, em discursos no Plenário.

Posição da base governista

Parlamentares da base defenderam que o presidente Lula concentre esforços na conclusão do mandato e na organização do próximo período de governo. O deputado Merlong Solano (PT-PI) afirmou que "não cabe ao presidente Lula ficar tratando agora do assunto Flávio Bolsonaro", e que o chefe do Executivo deve cuidar da conclusão do mandato e implementar medidas consideradas importantes.

Merlong citou como exemplos recentes políticas voltadas a microempreendedores: a ampliação do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), o perdão de dívidas ativas da União para esse público, a reorganização de débitos pelo programa Desenrola 3 com descontos e a criação do NanoMei para empreendedores com faturamento de até R$ 40 mil.

Outros deputados da base também criticaram a permanência de Flávio Bolsonaro no exterior. Márcio Jerry (PCdoB-MA) disse que o resultado das urnas reforça o compromisso com a democracia e classificou a saída do senador como uma tentativa de evitar responsabilizações. Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) afirmou que "o senador Flávio Bolsonaro abriu mão da liderança política que poderia exercer como oposição e abandonou os seus correligionários".

Resposta da oposição

Deputados da oposição contestaram as críticas e defenderam a permanência de Flávio Bolsonaro fora do país. Giovani Cherini (PL-RS) negou que a viagem tenha sido uma fuga e afirmou que o senador teria sido convidado pelas autoridades dos Estados Unidos, acrescentando que "a própria Polícia Federal anunciou que ele não fugiu" e que Flávio seria "hóspede do governo americano, em função das perseguições que sofre no Brasil".

A deputada Priscila Costa (PL-CE) questionou as críticas da base e disse não concordar com a ideia de que o eleitorado de oposição estaria decepcionado com a conduta do senador. Luiz Lima (Novo-RJ) comparou a situação a episódios históricos em que líderes deixaram o país alegando questões de segurança, afirmando que, nessa visão, "ele não seria julgado no país de forma honesta. Flávio fez o certo ao se afastar".

O que está em debate

O confronto de posições no Plenário reflete tensões entre governistas e oposicionistas sobre como interpretar a reeleição presidencial e as ações dos líderes da oposição. De um lado, a base cobra foco em medidas de governo e responsabilização política; do outro, parlamentares da oposição tratam a viagem como ato autorizado por autoridades estrangeiras e como consequência de uma suposta perseguição política.

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