Câmara articula votação do distrital misto ainda neste ano
Presidente da Casa e partidos do Centrão defendem mudança que reduziria o peso dos 'puxadores de votos'
Por Redação Os Três Poderes ·

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e integrantes de partidos do Centrão passaram a articular a votação de uma proposta que introduz o sistema distrital misto nas eleições para deputado federal ainda neste fim de ano, segundo parlamentares interessados na mudança.
O que é o distrital misto e por que muda a eleição
No modelo distrital misto, o eleitor participa de dois tipos de disputa: parte das cadeiras é preenchida por voto majoritário em distritos e outra parte por listas partidárias que respeitam o critério proporcional. A proposta visa reduzir a influência dos chamados puxadores de votos — candidatos com votação individual muito alta que, pelo sistema proporcional atual, ajudam siglas a conquistar mais vagas.
Atualmente, no sistema proporcional, o número de vagas de uma legenda é calculado a partir do desempenho do partido e de seus candidatos, pelo quociente eleitoral, e as cadeiras ficam com os candidatos mais votados dentro de cada sigla. Parlamentares envolvidos na articulação ressaltam que, nas últimas eleições, pouco mais de 30 deputados atuaram como puxadores e que cerca de 60 candidatos teriam sido eleitos beneficiados por esse mecanismo.
Quem apoia e quem resiste
Segundo deputados alinhados ao movimento, partidos como o PSD e MDB apoiam a proposta. Essas legendas, com forte presença municipal, avaliam que o distrital misto poderia ampliar a influência de prefeitos na escolha dos nomes que disputarão os distritos. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, é citado entre os mais ativos no apoio.
Por outro lado, parlamentares afirmam que PT e PL se posicionam contra a mudança, por conta da vantagem que obtêm hoje com candidatos de grande capilaridade eleitoral. A existência de federações partidárias, no caso do PT, também é apontada por deputados como elemento que complica a aprovação.
Outros pontos da discussão
Além da reforma do sistema eleitoral, a agenda examinada por deputados inclui mudanças nas regras de propaganda política nas redes sociais. Entre as alternativas debatidas está a definição de um limite para a votação considerada válida para efeito de transferência de votos, com hipóteses que mencionam travas — por exemplo, uma referência a um teto de até um milhão de votos para o mecanismo dos puxadores — como forma de frear a concentração de votos em poucos nomes.
Apesar da articulação para tentar aprovar as alterações ainda este ano, parlamentares envolvidos no processo admitem que a resistência de siglas principais e a complexidade de pontos como federações podem dificultar o avanço da proposta.
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