Após as eleições, líderes na Câmara pregam governabilidade e diálogo
Aliados falam em ampliar base; oposição defende atuação propositiva e cita PEC da segurança pública
Por Redação Os Três Poderes ·

Líderes e vice-líderes de partidos na Câmara dos Deputados afirmaram, nesta semana em Brasília, que o período pós-eleitoral deve ser voltado à construção de governabilidade, com negociação entre bancadas e atuação de oposição propositiva.
Negociações e coalizões
O vice-líder do PT, deputado Airton Faleiro (PT-PA), disse que a vitória do presidente Lula fortalece as tratativas políticas e citou a mobilização social em apoio ao governo. Segundo ele, a experiência de negociação do presidente é um ativo no diálogo com outras forças.
“O Lula conta, a seu favor, com a possibilidade de a sociedade brasileira continuar mobilizada, dando sustentação ao seu governo. Ao mesmo tempo que o presidente Lula tem a seu favor a capacidade de ser um grande negociador, como ele sempre foi como sindicalista, como ele foi nos governos que ele exerceu”.
Para o vice-líder do governo, deputado Bohn Gass (PT-RS), há espaço para conversa inclusive com parlamentares de direita. Ele afirmou que, apesar do movimento da extrema-direita, setores da direita participam do debate democrático.
“E nós vamos dialogar.”
Pautas com chance de consenso
Entre os temas citados por Bohn Gass está uma proposta de emenda à Constituição sobre segurança pública, que, conforme o parlamentar, busca atribuir ao governo federal a coordenação dos esforços de estados e municípios.
O vice-líder do PL, deputado Alberto Fraga (PL-DF), lembrou que a proposta já foi aprovada pela Câmara, mas avaliou a possibilidade de incluir a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, hipótese que exigiria nova análise pelos deputados. Ele defendeu uma oposição que classificou como responsável e afirmou que, pessoalmente, apoia a reeleição do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), acrescentando que o PL ainda vai debater o assunto.
“A gente sabe que o PT não tem esses votos todos para poder governar sozinho. Precisa de coalizão, precisa de ter outros partidos juntamente com ele. Eu espero que esses parlamentares que, durante a campanha, mostravam-se claramente contra a esquerda, que não se vendam, que não se deixem corromper por um ministério ou por cargos que interessem a sua vida pública.”
Oposição e redes sociais
Em publicação nas redes sociais, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), único representante do partido Missão na Câmara, defendeu uma oposição propositiva e afirmou que o governo terá de fazer ajustes.
“Não adianta fazer oposição por oposição. O governo Lula também, a contragosto, vai ter que fazer ajuste, porque sabe que ano que vem estoura a bomba no colo dele. Então agora é o momento de construir.”
Contexto e impacto para o RN
No Congresso, a governabilidade costuma ser construída por coalizões entre partidos. Propostas de emenda à Constituição (PEC) exigem quórum qualificado e passam por dois turnos de votação na Câmara e no Senado. Uma PEC sobre segurança pública, se avançar, pode ampliar a coordenação federal com estados e municípios, com reflexos nas políticas locais, incluindo o Rio Grande do Norte.
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