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Aliados de Lula articulam reduzir maioridade a 16 anos só em hediondos

Emenda à PEC da Segurança divide a base governista; proposta de Rogério Marinho reduz de forma geral e prevê punição a partir dos 14 anos em crimes hediondos

Por Redação Os Três Poderes ·

Presidente Lula, de terno escuro e gravata azul, gesticula com as mãos durante reunião
Presidente Lula, de terno escuro e gravata azul, gesticula com as mãos durante reunião

Senadores aliados ao governo discutem apresentar emenda à PEC da Segurança para reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal exclusivamente em crimes hediondos. O tema foi debatido em reuniões nesta quarta (14) e a proposta entrou na pauta do plenário do Senado nesta quinta (15), segundo parlamentares, gerando divisão na base.

Como seria a mudança

De acordo com senadores governistas, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), está reunindo assinaturas para protocolar uma emenda que restringe a redução aos crimes formalmente classificados como hediondos. A iniciativa recebeu manifestações favoráveis do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), e do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que assinaram o texto.

Há divergência na base sobre o formato: parte defende inserir o ajuste diretamente no relatório da PEC; outra prefere uma emenda autônoma para confrontar a alternativa apresentada pela oposição. O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), tenta construir um acordo entre as posições.

Contraponto à proposta da oposição

A movimentação responde à emenda do senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos de maneira geral e, nos crimes hediondos, permitir responsabilização a partir dos 14 anos. Parlamentares apontam que o impasse pode adiar a votação da PEC.

Na justificativa de sua emenda, Camilo sustenta que a mudança aproximaria o Brasil de modelos adotados em democracias como França e Portugal e coibiria o uso de adolescentes por organizações criminosas em atividades de maior risco.

“A sociedade brasileira clama por medidas concretas de contenção da violência. Uma resposta insuficiente a crimes bárbaros praticados por quem é capaz de compreendê-los corrói a credibilidade das instituições e do próprio pacto social”, afirma o texto elaborado por Camilo.

Tramitação e opinião pública

A análise da PEC da Segurança começou na CCJ antes do primeiro turno. O texto principal foi aprovado em setembro, e a votação na comissão foi concluída na quarta (14).

Levantamento do Datafolha realizado em junho de 2026 indicou apoio majoritário à redução da maioridade penal: 79% a favor e 17% contra; 3% não souberam responder e 1% se declararam indiferentes. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios nos dias 17 e 18 de junho e está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.

Participação do RN

O Rio Grande do Norte está diretamente envolvido no debate porque a proposta mais ampla é de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN). Eventuais mudanças na Constituição, se aprovadas, terão efeito nacional.

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