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Natal cobrará explicações sobre diferença de R$ 34,3 milhões no IPVA

Prefeitura aponta divergências entre dados estaduais e créditos recebidos e pedirá conciliação dos repasses

Por Redação Os Três Poderes ·

Foto: Prefeitura do Natal
Prefeitura do Natal

Em 2026, a Prefeitura do Natal informou que solicitará ao Governo do Estado dados completos e uma conciliação dos repasses do IPVA após a Secretaria Municipal de Finanças (SEFIN) apontar divergências estimadas em R$ 34,3 milhões. O levantamento inclui um recorte de julho e agosto de 2026, quando o município afirma ter recebido menos do que os valores calculados, mas não há data informada para o envio do pedido formal.

Segundo a SEFIN, a estimativa reúne R$ 2,46 milhões referentes a 2024, R$ 8,10 milhões relativos a 2025 e R$ 23,75 milhões associados a 2026. Os cálculos foram comparados com informações da Secretaria Estadual da Fazenda (SEFAZ/RN) e com extratos bancários da Prefeitura. A administração municipal afirma que parte do valor de 2026 foi estimada porque os dados estaduais disponíveis abrangem apenas até maio.

Nos meses de julho e agosto de 2026, a arrecadação estadual do IPVA teria aumentado 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os repasses para Natal teriam recuado 40%, de acordo com a análise municipal. A SEFIN calcula que a capital deveria ter recebido aproximadamente R$ 29,1 milhões, mas identificou créditos de R$ 14,3 milhões, uma diferença estimada em R$ 14,85 milhões já incluída no total de R$ 34,3 milhões.

A Prefeitura também afirma que outros municípios potiguares registraram reduções semelhantes nos repasses durante os mesmos meses. Nos extratos de Natal, a média mensal teria passado de quatro créditos de IPVA em 2024 para um em 2026. Em outubro de 2026, houve, segundo o levantamento, apenas um depósito, feito em 30 de outubro.

O município pretende pedir ao Estado a discriminação da arrecadação por município, dos valores transferidos e de eventuais pagamentos em atraso, além da comparação entre os registros estaduais e os créditos nas contas municipais. A finalidade será esclarecer a origem das diferenças, confirmar os valores eventualmente devidos e buscar a regularização, com os acréscimos previstos na legislação caso sejam identificadas pendências.

A análise municipal cita a Constituição Federal, que destina às prefeituras 50% do IPVA arrecadado sobre veículos licenciados em cada município. Também menciona a Lei Complementar Federal nº 63/1990 e a Lei Estadual nº 12.785/2026, promulgada em junho, que prevê repasses diários e divulgação mensal de valores arrecadados e distribuídos.

De acordo com a Prefeitura, a falta de dados públicos detalhados e a ausência de informações do IPVA no sistema de Demonstrativos de Distribuição da Arrecadação do Banco do Brasil dificultam a conferência pelos municípios, órgãos de controle e população. O município relaciona a previsibilidade dos repasses ao planejamento de serviços como saúde, conservação de ruas, limpeza urbana e educação.

A preocupação apresentada pela Prefeitura inclui atrasos em outras transferências, como a cota-parte do ICMS e recursos do Fundeb. Em 1º de novembro de 2026, a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) alertou para dificuldades financeiras das administrações municipais associadas a pendências nesses repasses, com efeitos sobre o fluxo de caixa, a folha de pessoal, fornecedores e serviços essenciais.

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