Sem maioria em Israel, Netanyahu segue como premiê interino
Com 86% dos votos apurados, projeções dão 53 cadeiras ao bloco governista; Justiça eleitoral aciona o Shin Bet para apurar suspeitas de interferência
Por Redação Os Três Poderes ·

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, continuará no cargo de forma interina após a votação desta terça-feira (27.out.2026), que não produziu maioria no Knesset — cenário que prolonga a indefinição política em um parceiro de cooperação tecnológica e comercial do Brasil. Com aproximadamente 86% das urnas contabilizadas, emissoras locais estimam 53 das 120 cadeiras para o bloco de Netanyahu, 48 para o grupo oposicionista liderado por Gadi Eisenkot e 19 para siglas árabes, número apontado como recorde.
Negociações e prazos
Como nenhum campo atingiu os 61 assentos, caberá ao presidente consultar os partidos eleitos e indicar quem tem mais condições de formar uma maioria. Até que isso ocorra, Netanyahu segue interinamente. Se as tratativas fracassarem, ele pode permanecer nessa situação até uma nova ida às urnas, prevista para 2027. Este é o primeiro pleito nacional desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e o início da guerra em Gaza.
Investigação sobre possível interferência
O Likud alegou, sem apresentar evidências, que Catar e Turquia teriam bancado iniciativas para influenciar votos em comunidades árabes. Diante das suspeitas de financiamento externo e possível compra de votos, o presidente do Comitê Central de Eleições, juiz Noam Sohlberg, acionou o serviço de segurança interna (Shin Bet) para apurar o caso, estabelecendo cerca de uma semana para a investigação.
O diretor do Shin Bet, David Zini, afirmou que a votação ocorreu sem irregularidades. A polícia israelense também já havia rechaçado a existência de fraude.
Como funciona a formação do governo
No sistema nacional israelense, os eleitores escolhem partidos para ocupar as 120 cadeiras do Knesset. Concluída a apuração, o presidente ouve as siglas e designa o líder com maior capacidade de costurar uma maioria de pelo menos 61 deputados. O indicado assume como primeiro-ministro quando a coalizão e seu programa obtêm o aval do Parlamento.
O que propõem os blocos
De acordo com as campanhas, a frente capitaneada pelo Likud reúne legendas de direita e ultraortodoxas e defende o avanço da reforma do Judiciário, o fortalecimento do papel da religião no Estado e a afirmação do controle israelense sobre a Cisjordânia e Gaza. Já o campo oposicionista, sob liderança de Gadi Eisenkot e composto por partidos de diferentes vertentes ideológicas, coloca entre suas prioridades a criação de uma comissão autônoma para apurar o que ocorreu em 7 de outubro de 2023, a retomada de pontes diplomáticas de Israel no cenário internacional e ações para coibir a violência de extremistas na Cisjordânia.
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