Acordo Mercosul-Efta entra em vigência e abre espaço para aumento do comércio com a Noruega
Isenção progressiva de tarifas e inclusão de salmão entre itens livres a partir de novembro deverão impulsionar exportações e investimentos bilaterais
Por Redação Os Três Poderes ·

O acordo de livre comércio entre Mercosul e Efta entra em vigor em 1º de novembro de 2026 e deve acelerar o comércio e os investimentos entre Brasil e Noruega, com efeitos diretos em segmentos como agronegócio, pescado e tecnologias para a transição energética. A medida prevê isenção tarifária sobre metade dos itens já no início da vigência, com ampliação progressiva até cobrir 99% da pauta.
O que muda nas trocas comerciais
O tratado, que reúne Mercosul e os países da Efta (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), foi assinado em setembro de 2025 e regulamentado no Brasil por decreto presidencial em 25 de setembro de 2026. Com a vigência, produtos originários da Noruega terão redução ou eliminação de tarifas conforme o cronograma previsto.
Entre os itens citados para isenção imediata está o salmão, que passa a entrar no Brasil sem tarifas a partir de novembro de 2026. Representantes do setor norueguês veem potencial de crescimento nas vendas ao mercado brasileiro, especialmente para o segmento de restaurantes.
Impactos para cadeias produtivas brasileiras
Segundo o embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen, empresas do país nórdico planejam aumentar a compra de soja brasileira para uso na produção de ração para salmões. A negociação da soja deverá observar critérios de rastreabilidade ligados a padrões ambientais, conforme disse o embaixador.
Em 2025, o Brasil exportou para a Noruega US$ 1,54 bilhão, enquanto as importações brasileiras do país nórdico somaram US$ 807 milhões. A expectativa explícita da diplomacia norueguesa é de que o acordo impulsione tanto o comércio quanto os investimentos bilaterais.
Investimentos e transição energética
Elsebutangen também manifestou expectativa de aumento de investimentos entre os dois países e ressaltou oportunidades na transição para uma economia de baixo carbono. Ele observou, porém, que a política energética da Noruega não prevê o fim imediato da produção de petróleo, defendendo a manutenção da produção de combustíveis fósseis enquanto se desenvolvem investimentos na transição energética.
O embaixador afirmou ainda que o Brasil figura entre os principais destinos de investimento da Noruega, o que, na avaliação dele, cria terreno favorável para cooperação em áreas como energia renovável, tecnologia ambiental e o setor de petróleo e gás.
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